Polícia

Escutas telefônicas revelam que empresa Reação previa ser acusada pelo assassinato de Eliseu Santos

Áudios indicam que acusados já planejavam a contratação de advogados antes mesmo de serem denunciados<br />

Parte de interceptações telefônicas feitas pela Delegacia de Homicídios e repassadas, este mês, ao Ministério Público Estadual (MP) indicam que integrantes da empresa de vigilância Reação já esperavam serem ligados ao caso do assassinato do ex-secretário da Saúde da Capital Eliseu Santos. Nos áudios, analisados pela promotora Lúcia Helena Callegari, integrantes da Reação mencionam que poderiam serem acusados pelo crime, antes mesmo do Ministério Público (MP) denunciá-los. Os grampos revelam que a empresa de vigilância, já projetava, inclusive, a contratação de advogados para defenderem-se caso fossem acusados.

No total, oito pessoas são acusados pelo crime, duas delas ligadas à Reação: Jorge Renato Hordoff Mello e Marcelo Pio Machado, atualmente presos no Presídio Central. Para dar maior consistência às acusações, o MP já ouviu cerca de 50 pessoas desde que a denúncia sobre o caso, que foi aceita pela Justiça, no início deste mês.

Nesta quinta-feira, Lúcia Helena Callegari recebeu um documento que, para o MP, reforça a lista de provas que vincula os mandantes do crime aos executores. Trata-se da cópia da carteira de trabalho do irmão de Eliseu Pompeu Gomes - apontado como membro da quadrilha de Sapucaia do Sul responsável pelo disparos que vitimaram Eliseu Santos - Jonatas Gomes. A existência de documentos que provam o vínculo foi revelada no dia 5 de abril pelo promotor Eugênio Paes Amorim, durante um tenso debate com o diretor do Deic Delegado Ranolfo Vieira Júnior, no programa Balanço da Tarde da Rádio Guaíba.

Conforme o MP, a Reação participava de um esquema de propina na Secretaria Municipal de Saúde, e Eliseu Santos ao descobrir o fato, rompeu contrato com a empresa. O prejuízo teria sido de mais de R$ 1 milhão, um dos fatos que, segundo os promotores, levaram a contratação, com o apoio do ex-assessor da prefeitura Marco Antônio Bernardes, de quatro criminosos de Sapucaia para executar o ex-secretário.

A morte ocorreu no mesmo dia em que o esquema de propina foi denunciado pelo MP à Justiça. Em depoimento na Câmara de Vereadores, Jorge Renato Hordoff de Mello, um dos presos, disse que o dinheiro da suposta propina – que teria sido cobrada por Bernardes para manter contratos da empresa e a prefeitura - seria destinado a caixas de campanha do PTB.