Polícia

Esquema de agendamento de vistos teria causado prejuízo de R$ 20 mil em Porto Alegre

Homem fazia mediação e cobrava valor simbólico para marcar ida ao consulado dos Estados Unidos

Esquema de agendamento de vistos teria causa prejuízo de R$ 20 mil
Esquema de agendamento de vistos teria causa prejuízo de R$ 20 mil Foto : Guilherme Almeida
Um golpe contra as pessoas interessadas na obtenção da concessão de visto de entrada nos Estados Unidos foi descoberto pela Polícia Civil. Entre a noite de segunda-feira e manhã desta terça-feira, a Divisão Judiciária e de Operações (DJO) desencadeou a operação Visa em Porto Alegre.

Sob comando do delegado Marco Antônio Duarte de Souza, os agentes cumpriram dois mandados de busca e apreensão, sendo recolhidos centenas de documentos falsificados e até passaportes verdadeiros para análise e perícia. O responsável pela fraude, um despachante de 55 anos, que teve a prisão preventiva decretada, não foi localizado e está a partir de agora foragido. A estimativa inicial é de um prejuízo de mais de R$ 20 mil, mas o valor pode ser ainda maior com o aparecimento de mais vítimas inclusive de outros estados. Até o momento 19 delas, todas gaúchas, já haviam sido identificadas nas investigações que começaram há sete meses.

O delegado Marco Antônio Duarte de Souza desconfia que existam mais envolvidos no esquema de estelionato coordenado pelo despachante, apontado como dono de uma conhecida empresa que atua em todo país na intermediação do processo de obtenção do visto norte-americano aos viajantes. “Temos suspeita que ele não trabalhava sozinho”, afirmou. O titular da DJO observou que nem todos os pedidos de vistos encaminhados pelo foragido acabavam em fraude, sendo que muitos efetivamente tramitaram pelos canais legais. O nome dele era inclusive recomendado por agências de turismo.

Conforme o delegado Marco Antônio Duarte de Souza, o golpe começava quando as vítimas buscavam o serviço com o suspeito que cobrava entre R$ 2,5 mil e R$ 4 mil pelo encaminhamento do formulário, pagamento de taxa consular e agendamento da entrevista. No entanto, o despachante ficava com o dinheiro e não providenciava o processo na prática. A fraude era então descoberta quando as pessoas verificavam que seus pedidos nunca chegaram no consulado norte-americano. “Elas não constavam em nada pois não existia o agendamento e nem as taxas haviam sido pagas”, frisou.

“De uma única vítima ele se apropriou de mais de R$ mil”, acrescentou. O investigado falsificava os documentos usados nos trâmites, inclusive em nome da representação diplomática. “Temos suspeita que ele já praticava esse crime nos consulados de Recife, Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo”, adiantou o titular da DJO. O despachante, ao final do inquérito, deve ser indiciado pelos crimes de estelionato, apropriação indébita, falsa identidade e falsificação de documentos.

Nota oficial

O trabalho investigativo foi realizado após informações repassadas pelo Consulado dos Estados Unidos em Porto Alegre. Em nota oficial, a representação diplomática norte-americana agradeceu a Polícia Civil pelo “empenho dedicado à investigação de uma suposta fraude no agendamento de vistos e a assistência prestada a solicitantes de vistos vítimas do esquema”.

Conforme a Missão Diplomática dos Estados Unidos, o governo de seu país está “comprometido em garantir a segurança dos cidadãos americanos, assim como dos brasileiros e de qualquer pessoa que viaje aos EUA, e a facilitar viagens de turismo, intercâmbios de educação e comércio por meio de um processo de solicitação de vistos eficiente e transparente”. Ela lembrou ainda aos solicitantes de visto que a embaixada e os consulados são as únicas fontes de informação autorizadas sobre o processo de solicitação de visto.