Uma ação deflagrada nesta sexta-feira teve como alvo detentos do Presídio Regional de Pelotas (PRP), no Sul gaúcho. Intitulada Operação A Firma, a ofensiva visou desarticular uma rede de golpes e extorsões com base na Galeria C da unidade. Ali, conforme a Polícia Civil, os valores movimentados ultrapassaram R$ 700 mil, em 38 dias. Mais de 100 pessoas são investigadas por envolvimento no esquema.
Nesta manhã, foram efetuadas 85 prisões, sendo que 57 alvos já cumpriam pena no sistema penitenciário. Além deles, outros 24 suspeitos que estavam em liberdade foram detidos em Pelotas e mais quatro, capturados em Jaguarão, Arroio Grande, São Lourenço e Rio Grande.
Também houve o cumprimento de 65 mandados de busca e apreensão, indisponibilidade de oito imóveis, sequestro de cinco veículos e o bloqueio em contas bancárias de todos os investigados.
De acordo com a investigação, coordenada pela 2ª DP de Pelotas, as extorsões ocorriam por celulares, na modalidade "golpe dos nudes". Inicialmente, criminosos buscavam vítimas em redes sociais e no WhatsApp, com o uso do perfil falso de uma jovem bonita. A figura servia para instigar trocas de mensagens de cunho sexual e fotos íntimas.
Então entrava em cena um segundo golpista, que fazia contato como se ele fosse pai da personagem. O falso parente dizia que a filha era menor de idade e passava a exigir depósitos em dinheiro, sob ameaça de denunciar a vítima por pedofilia.
Na sequência, mais criminosos somavam participação na farsa. Eles fingiam ser delegados, advogados, entre outras autoridades, sempre com demanda de valores para supostamente poupar o acusado de responder criminalmente.
Em menos de 40 dias, os investigadores detectaram 700 manobras de extorsão. Mais de 500 pessoas foram vítimas do golpe, em todos os estados do Brasil, além de Alemanha, Jamaica e Portugal.
Cerca de 20% do lucro extorquido era destinado para a cúpula da facção que, na intenção de evitar lastros, pulverizava o montante em contas bancárias de laranjas, no país e no exterior. O restante do dinheiro ficava com os presidiários que participaram como personagens do golpe.
Os investigadores detectaram quatro núcleos da quadrilha, sendo o primeiro formado por lideranças espalhadas no estado. Outro grupo era composto por extorsionários, no caso os presos da Galeria C, e o terceiro, englobava laranjas que alugavam suas contas bancárias para a facção.
A quarta e última divisão do esquema abrangia familiares de detentos. Em dias de visitação, eles ficavam responsáveis por transportar parte do dinheiro para dentro da casa prisional.
Ainda no interior do Presídio Regional de Pelotas, a PC constatou a existência de um “mercado interno” gerido pela facção, a partir da venda e aluguel de aparelhos telefônicos. Um celular chegava a ser vendido por R$ 15 mil. Já carregador e fones de ouvido, eram comercializados por R$ 3 mil e R$ 1 mil, respectivamente.