“Eu só tive oportunidade de falar na imprensa. Ainda não pude me defender", afirmou Heller. Para o promotor de Justiça Luís Antônio Portela, o profissional causou, mediante imperícia e negligência, a morte da promotora de eventos de 29 anos, que se submeteu a uma lipoaspiração e a um implante de silicone nos seios na clínica Heller, no bairro Santa Tereza, em Porto Alegre.
Na denúncia, entregue à Justiça, o Ministério Público concluiu que o médico provocou a morte de Lívia ao manejar de forma incorreta a cânula de lipoaspiração. O diafragma e o fígado da paciente teriam sido perfurados, o que, segundo o MP, provocou choque hemorrágico. Heller também foi denunciado por negligência em razão da demora em chamar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e por não oferecer transporte nem manter convênio com hospitais para enfrentar casos de internação urgente.
O cirurgião justifica que a morte ocorreu por parada cardíaca. “O perito falou que não houve parada cardíaca. Como ele pode dizer isso, se não estava presente? Nós vamos provar por A mais B, está tudo pronto”, afirmou o médico à Rádio Guaíba.
Ainda de acordo com o MP, Heller mandou limpar a sala de cirurgia onde Lívia morreu e descartar os fragmentos corporais aspirados do corpo da paciente a fim de induzir em erro o juiz e o perito do caso. “Quando a equipe do Departamento Médico-Legal chegou à clínica, a sala cirúrgica estava limpa e os dois recipientes dos aspiradores vazios”, disse o promotor.
O médico explicou, no entanto, que é um procedimento normal a limpeza da sala de cirurgia durante a operação. “Não existe sala de cirurgia no mundo onde um pingo de sangue não é limpo”, disse.