A Associação dos Delegados de Polícia do Rio Grande do Sul (Asdep-RS) realizou na sexta-feira (25), um encontro que reuniu diferentes forças de segurança para discutir temas estratégicos da atualidade, como o combate ao crime organizado, guerras urbanas contemporâneas e os desafios da legislação policial.
O evento, realizado na sede da entidade, em Porto Alegre, faz parte das comemorações dos 65 anos da associação. A programação foi dividida em dois momentos. Pela manhã, o delegado e pesquisador Rodolfo Queiroz Laterza conduziu uma palestra voltada para grupos táticos e operacionais da segurança pública sobre “Novas Lições Táticas e Operacionais do Combate Urbano nas guerras da Ucrânia e Gaza”.
Para o presidente da Asdep-RS, delegado Guilherme Wondracek, a discussão traz uma reflexão sobre a adaptação de estratégias de guerra para contextos urbanos, inclusive brasileiros. “Em algumas regiões, como no Rio de Janeiro e até em pontos de Porto Alegre, lidamos com cenários que se aproximam de conflitos urbanos”, afirmou.
À tarde, o foco se voltou para questões institucionais, com destaque para a Lei Orgânica Nacional das Polícias Civis, aprovada em 2023. O Rio Grande do Sul, no entanto, ainda não regulamentou a norma no âmbito estadual.
O presidente da Asdep-RS também destacou os avanços na segurança pública nos últimos anos, com a redução de indicadores de criminalidade. No entanto, alertou para o crescimento de crimes digitais, que ainda não têm recebido a devida atenção e estrutura por parte do Estado. “A criminalidade migrou. O furto e o roubo foram substituídos, em muitos casos, pelos golpes virtuais, e o Estado não tem recursos suficientes para essa nova realidade”, disse.
Wondracek também mencionou a evasão de servidores da Polícia Civil devido à desvalorização salarial. Segundo ele, desde 2023, cerca de 130 policiais civis pediram exoneração, desmotivados pelas condições de trabalho. “A Polícia Civil do RS já foi uma das mais bem pagas do Brasil. Hoje estamos entre os últimos. Mesmo com bons resultados, não somos devidamente reconhecidos”, apontou.
Outro tema sensível citado foi a falta de estrutura para o enfrentamento à violência contra a mulher. De acordo com Wondracek, o Rio Grande do Sul conta com apenas uma Delegacia da Mulher com plantão 24 horas, o que, para ele, revela a carência de uma política mais efetiva. “Desde 2014, não há mais uma secretaria estadual específica para as mulheres”, pontua.
Por fim, o presidente reforçou a importância do evento como espaço de diálogo e atualização. Ao todo, cerca de 170 profissionais da segurança pública participaram da atividade, entre delegados, agentes da Polícia Civil, Brigada Militar, Polícia Federal, Exército, Marinha e Aeronáutica. A Asdep-RS conta com aproximadamente 800 delegados associados.