Polícia

Ex-secretário de Meio Ambiente de Porto Alegre será ouvido amanhã

PF ouve hoje cinco suspeitos de esquema de licenças ambientais

Depoimento de Luiz Fernando Záchia está marcado para 14h
Depoimento de Luiz Fernando Záchia está marcado para 14h Foto : Mauro Schaefer / CP Memória
O ex-secretário de Meio Ambiente de Porto Alegre Luiz Fernando Záchia (PMDB), um dos presos na operação Concutare da Polícia Federal (PF), será ouvido às14h desta quarta-feira na sede do órgão, na Capital. Já o depoimento do ex-secretário estadual Carlos Niedersberg (PC do B) – inicialmente marcado para 10h desta terça-feira – foi tansferido para tarde. Além dele, a PF pretende ouvir mais quatro suspeitos de envolvimento com um esquema de corrupção voltado à liberação de licenças ambientais nesta terça.

Os advogados dos presos tiveram acesso as mais de mil páginas do inquérito da PF, onde estão transcritas conversas telefônicas e constam as interpretações dos agentes federais que participaram da investigação, que teve início em junho do ano passado. Desde esta época, Záchia estava com telefones "grampeados" pela Polícia Federal. Somente depois do ex-secretário prestar depoimento, o defensor poderá solicitar na Justiça a soltura. Em razão disso, Záchia deve passar mais uma noite no Pesídio Central.

Na manhã desta terça, os defensores de três suspeitos compareceram na sede regional da PF, na avenida Ipiranga, na Capital. Os advogados Angelo Rafael Neves e Fernando Barretti representam um empresário de Caxias do Sul. “Não tivemos acesso ainda aos autos”, observou Angelo Rafael Neves, ao se referir sobre quais acusações “pesam” contra seu cliente, que foi “surpreendido”.

Já os advogados Ezequiel Vetoretti e Rodrigo Grecellé defendem um empresário de Santa Cruz do Sul. Eles tiveram acesso na noite de segunda-feira ao inquérito, sendo esse lido durante a madrugada desta terça. “Não existe nada absolutamente que justifique a prisão contra nosso cliente. A acusação contra ele é de corrupção ativa, mas não existe nada dentro do processo que justifique isso. Pelo contrário, o inquérito demonstra que ele agiu somente de forma legal”, afirmou o advogado Ezequiel Vetoretti.

Por sua vez, o defensor de um agricultor de São Luiz Gonzaga, também preso, declarou que seu cliente não tem relação com o suposto esquema de corrupção envolvendo licenças ambientais. O advogado Nelson Tagliari destacou que nem interceptação telefônica havia. “Um funcionário dele falou com um dos envolvidos, só isso”, assegurou.

Prisões

Nessa segunda-feira, a Polícia Federal prendeu 18 pessoas temporariamente - a detenção dura cinco dias, podendo ser prorrogada por mais cinco. Foram presos seis empresários, seis despachantes e seis servidores públicos. Após cerca de dez meses de investigação, a PF identificou diversas quadrilhas que atuavam na aceleração da liberação de licenças ambientais no Estado. Uma rede de corrupção aliciava funcionários públicos para que requisitos legais fossem desconsiderados. Os setores de construção civil e mineração foram alguns dos segmentos beneficiados com as fraudes. A PF apreendeu R$ 468 mil, 44 mil dólares e 5.280 euros - o equivalente a mais de meio milhão de reais.

O superintendente da PF no Estado, Sandro Luciano Caron de Moraes, convocou peritos ambientais de todo o País para avaliar documentos e analisar supostos danos ambientais, especialmente em função da instalação de empreendimentos imobiliários em Porto Alegre e no Litoral Norte.



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