Polícia

Ex-secretária do Bem-Estar Animal de Canoas nega suposto excesso de eutanásias: "veterinários deviam ser investigados"

Paula Lopes rebateu acusações em entrevista à Record Guaíba

Paula Lopes concedeu entrevista à Record Guaíba após operação da Polícia Civil
Paula Lopes concedeu entrevista à Record Guaíba após operação da Polícia Civil Foto : Record Guaíba / CP

Paula Lopes, ex-titular do Bem-Estar Animal de Canoas, nega ter autorizado eutanásias de forma irrestrita durante os sete meses em que esteve à frente da pasta. Ela afirma que o procedimento não poderia ter sido feito sem acompanhamento e autorização de terceiros, incluindo profissionais da área e tutores. As declarações foram dadas ao jornalista Ricardo Azeredo, em entrevista veiculada na Record Guaíba após a Operação Carrasco, da Polícia Civil.

“Baseado em quê eles [denunciantes] alegam que as eutanásias eram feitas de forma indiscriminada? Eu respondo: com base em denúncias anônimas ou em pessoas que ouviram falar ou que ouviram dizer. Se houve matança de bichos, os que deveriam ser investigado são veterinários. Essas pessoas, que supostamente fizeram isso, precisam ser investigadas. Quem faz eutanásia são os médicos veterinários. Também vale lembrar que, para isso, é necessário a presença do tutor ou do responsável do animal. Há três consultórios na Secretaria do Bem-Estar Animal, com veterinários. Ali, quando é um caso extremo, o veterinário pode sugerir que seja feita eutanásia, em concordância com o tutor. Além disso, tudo isso é documentado”, disse Paula Lopes.

A ex-secretária também negou ter autorizado eutanásia como forma de economizar recursos. “Isso nunca houve. Os recursos são fixos. Dizer que eutanásia é mais barato do que castração é um grande erro. Tanto que nossos números de castrações são altíssimos. Não existe isso de querer economizar. Esses animais não iam para dentro da Secretaria do Bem-Estar. Então, qual seria o interesse em fazer eutanásia em um animal que tem um tutor?”, destacou.

Paula Lopes também rebateu a alegação da Polícia Civil sobre um caderno com registros de quase 500 supostas eutanásias. Ela disse que, antes de assumir a gestão, entre 2023 e 2024, a pasta registrou 920 atendimentos e 28 eutanásias mensais, com média de eutanásia de um animal por dia. Em sua gestão, foram 1.747 animais atendidos e 62 eutanásias por mês, média de duas eutanásias por dia.

"Falar que 500 animais foram mortos é um absurdo. Quando se vende essa informação solta, obviamente isso gera revolta e comoção [...] também é preciso entender que os animais não chegam na Secretaria para cortar unhas ou curar uma otite. Esses animais muitas vezes foram atropelados ou sofreram até o último seguindo, sendo o único recurso a eutanásia”, avaliou Paula Lopes.

Ela ainda negou ter enriquecido com a causa animal, ao contrário do que havia sugerido a Polícia Civil. "A riqueza que eu tenho são os meus animais. Quatro patinhas e um rabinho balançando, essa é a riqueza que ganhei”, pontuou.

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