Polícia

Extradição de Sanfelice é concedida por Justiça da Espanha

Defesa de empresário condenado por matar mulher tem até sexta para recorrer

A Justiça da Espanha atendeu o pedido do governo brasileiro e decidiu pela extradição do empresário Luiz Henrique Sanfelice, 43 anos, nesta semana. No entanto, segundo a advogada dele, Gabriela Michaelsen, a defesa tem até sexta-feira para recorrer da decisão. A partir daí, o caso deve ser julgando novamente e só depois de tramitado, ficará definido se ele deve retornar ao Brasil ou cumprir a pena em Madri, onde está preso.

Sanfelice foi condenado por ter matado a mulher em 2004. Ele foi encontrado na Europa, em 4 de maio, sem barba e com um corte de cabelo diferente. O empresário tem cidadania espanhola e portava documentos originais. Há informações de que ele trabalhava no mesmo ramo que atuava no Brasil – importação e exportação de calçados.

Em 21 de julho do ano passado, o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) recebeu a informação de que Sanfelice estava na Espanha. Logo depois, a Justiça pediu sua prisão.

O crime

O corpo de Beatriz Helena de Oliveira Rodrigues, 43 anos, foi encontrado carbonizado junto com o carro de Sanfelice, no Santuário Mãe de Deus, em Novo Hamburgo, em 12 de junho de 2004. No primeiro depoimento do empresário à Polícia Civil, ele afirmou que a esposa havia desaparecido no Dia dos Namorados após ambos deixarem a sua residência, na rua Heller, centro de Novo Hamburgo, com destino a uma agência bancária.

No local, o casal teria sacado R$ 1 mil e trocado de carros. Sanfelice disse ainda que o combinado seria almoçarem com um casal de amigos, mas o compromisso foi cancelado e Beatriz não foi mais localizada.

A condenação

Sanfelice foi condenado por cinco votos a dois por homicídio triplamente qualificado, em dezembro de 2006. No julgamento, testemunhas confirmaram a crise conjugal e detalhes da premeditação do crime. Também pesou contra o acusado um arquivo de computador de quatro dias antes da morte com o roteiro pré-elaborado para a realização do assassinato.

A ex-empregada doméstica do casal, acusada de falso testemunho e julgada no processo como cúmplice, foi absolvida, também por cinco votos a dois. O julgamento do empresário durou cerca de 40 horas, divididas em três dias de trabalhos. Sanfelice foi detido e, em março de 2007, transferido para o regime semi-aberto.

A fuga

Sanfelice cumpria pena no Presídio Estadual de Novo Hamburgo quando saiu para trabalhar e não voltou, em abril de 2008. Na mesma semana da fuga, o Tribunal de Justiça do Estado determinou a volta ao regime fechado até ele passar por exame psicossocial.

 
Bookmark and Share