Polícia

Facção monitorava bairro em Sapucaia do Sul com sistema de câmeras, diz Polícia

Investigação aponta que detento acessava imagens dentro de presídio em Charqueadas

Delegado titular da 1ª DP de Sapucaia do Sul, Marco Guns
Delegado titular da 1ª DP de Sapucaia do Sul, Marco Guns Foto : Marcel Horowitz / Especial CP

A Polícia Civil deflagrou a segunda etapa da Operação Dama de Copas, nesta quinta-feira, com objetivo de desarticular um esquema de tráfico e extorsão em Sapucaia do Sul. As duas fases da ofensiva somam 18 pessoas presas, sendo outras nove consideradas foragidas.

O alvo da ação foi um grupo criminoso que atua nas regiões da Cohab e do Feliz, conhecida como Hortoflorestal. As investigações apontam que, ali, o tráfico era coordenado de dentro do sistema prisional.

O líder da quadrilha está recolhido na Penitenciária Modulada de Charqueadas. Mesmo preso, ele exercia controle total sobre os comparsas na rua e, inclusive, acessava meios de comunicação. O apenado era responsável por recolher valores oriundos do tráfico, gerenciar os responsáveis pela venda ilegal das drogas e coordenar a logística do esquema. Tudo isso ocorria através de celulares.

Outro ponto investigado foi a movimentação financeira da esposa do detento. Entre maio de 2024 e março deste ano, ela movimentou mais de R$ 1,2 milhão.

Um aspecto que surpreendeu até mesmo os investigadores foi a instalação de câmeras de segurança na região da Cohab de Sapucaia do Sul. Os equipamentos aparentavam ser parte do sistema de monitoramento público, mas tinham o objetivo de antecipar as ações policiais e monitorar vendedores de drogas, usuários e até moradores da localidade.

“Os vídeos eram transmitidos em tempo real e acessados diretamente do sistema penitenciário pelo líder do grupo. A companheira dele também acessava as imagens, em casa”, revelou o titular da 1ª DP de Sapucaia do Sul, delegado Marco Guns.

Guns adicionou que conversas por celular ocorriam diariamente entre a mulher e o preso, demonstrando que o casal tinha controle sobre os passos da população local. Além disso, o delegado adicionou que o detento utilizava chamadas de vídeo para intimidar moradores dos blocos da Cohab de Sapucaia do Sul.

“Ele exigia que os moradores cedessem seus apartamentos para vigilância da facção e armazenamento de drogas, reforçando o domínio do tráfico no território”, destacou Marco Guns.

Segundo o delegado regional Cristiano Reschke, a operação representou um avanço no combate ao tráfico de drogas em Sapucaia do Sul, especialmente pelo desmonte das estruturas sofisticadas que sustentavam o esquema da facção.

“A instalação clandestina de câmeras de monitoramento e a utilização de coação contra a comunidade demonstram o alto grau de organização e a brutalidade do grupo criminoso. Nossa ação buscou não apenas reprimir o tráfico, mas, também, restabelecer a segurança e a confiança da população local nas forças de segurança”, enfatizou o delegado Cristiano Reschke.

Veja Também