Polícia

Família de jovem morto no trabalho em Porto Alegre pede que caso seja julgado como homicídio

Familiares de Dérick Aliardi clamam por justiça há mais de quatro anos

Camila e Rafaela, respectivamente mãe e irmã de Dérick Aliardi, clamam por justiça
Camila e Rafaela, respectivamente mãe e irmã de Dérick Aliardi, clamam por justiça Foto : Pedro Piegas

Familiares de um jovem morto em 2020 protestaram, na manhã desta segunda-feira, em frente ao prédio do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), na avenida Aureliano de Figueiredo Pinto, em Porto Alegre. Eles pediam justiça por Dérick Aliardi, que perdeu a vida aos 21 anos durante expediente no trabalho. A família afirma que a fatalidade não foi um acidente de serviço, e sim homicídio.

À época dos fatos, o jovem atuava como auxiliar de produção na indústria de concreto. A morte ocorreu no dia 7 de outubro de 2020, quando ele estava no interior de uma máquina soldadora, onde fazia a limpeza da estrutura.

De acordo com a família, um colega dele teria acionado o dispositivo com o jovem dentro. Além disso, um supervisor teria sido alertado pela vítima sobre os riscos gerados por falta de condições de trabalho. A reivindicação é para que ambos respondam como réus por assassinato.

Camila, mãe de Dérick, afirma que o MPRS está há mais de um ano sem oferecer atualização sobre o andamento do caso. “Os promotores faltaram audiências e não fazem mais contato com a família. Pedimos atualizações, mas não obtemos respostas. O caso está atualmente parado”, lamenta.

Em nota, o MPRS disse que o processo judicial está com o Tribunal de Justiça. O órgão também aponta que, no dia 16 de dezembro de 2021, denunciou duas pessoas pelo homicídio qualificado da vítima, com recurso que dificultou a defesa. Por fim, a instituição afirma que os familiares do jovem foram atendidos nesta manhã pela Central de Atendimento às Vítimas do MPRS.

A mãe da vítima confirma que foi atendida após o protesto. Ela pontua que a denúncia de homicídio já foi aceita pelo Tribunal de Justiça, porém os trâmites processuais seriam o motivo da demora para a realização de um julgamento. Camila também diz que o MPRS ofereceu acompanhamento emocional e psicológico, inclusive com terapias, o que foi acatado pela família.

"O MPRS garantiu que vai persistir para levar os réus ao tribunal de júri. Ocorre que, conforme nos foi explicado, a seleção de testemunhas e outros trâmites burocráticos acabam tornando o processo mais lento do que gostaríamos. É normal que a defesa dos acusados esteja fazendo de tudo para protelar, porque sabe que eles vão ser condenados por homicídio”, afirmou a mãe de Dérick.