Família e Polícia procuram motorista de aplicativo desaparecido desde sexta-feira
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Família e Polícia procuram motorista de aplicativo desaparecido desde sexta-feira

Carro dele, um modelo Voyage branco, foi encontrado queimado no sábado na Estrada do Petim, em Guaíba

Por
Eduardo Amaral

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A família do motorista de aplicativo Rafael do Nascimento da Silva, 31 anos, tem poucas esperanças de encontrá-lo vivo. Morador de Guaíba, na região Metropolitana, ele está desaparecido desde a madrugada de sexta-feira, quando saiu para trabalhar. No mesmo dia ele parou de falar com os parentes que poucas horas depois registraram o desaparecimento. O carro dele, um modelo Voyage branco, foi encontrado queimado no sábado na Estrada do Petim, na zona rural do município.

Enquanto a Polícia Civil (PC) trabalha com a hipótese de homicídio, o irmão de Silva, Aielo Nascimento Quintana, 38 anos, defende que ele deve ter sido morto durante um roubo, o que caracterizaria um latrocínio. Entretanto as duas partes concordam que é muito difícil encontrá-lo ainda vivo. “Minha mãe ainda tem esperança, mas eu já não tenho mais, então por isso antecipei o latrocínio. É muito tempo desaparecido, queira Deus eu estar errado”, diz Quintana.

A posição da delegada Karoline Calegari, que comanda as investigações, é parecida. “Sempre tem esperanças mas é pouca”, afirma a delegada que admite ser muito difícil encontrar Silva com vida. Como as investigações estão ocorrendo em segredo, os familiares de Silva reclamam da falta de informações mais precisas. Por sua vez, Karoline explica que isto é necessário para reduzir o risco de fuga dos suspeitos. “Estamos trabalhando de forma muito delicada e com absoluta certeza estamos dando prioridade”, afirma ela.

Mesmo assim, Quintana relata que a falta de informações tem deixado a família em um estado permanente de angústia. “Está todo mundo esgotado, porque não se tem informação. O que a polícia passa é que a investigação está bem avançada porque está em sigilo.” Pai de um menino de oito anos, Silva estava separado há oito meses. Ele iniciou o trabalho como motorista há cerca de um ano, depois de ser demitido de uma fábrica de carros onde trabalhou por nove anos. Aos 2 anos ele perdeu a mãe, vítima de câncer, e desde então foi criado pelos tios, os pais de Quintana.

Hoje com 70 anos, a mulher que se tornou sua mãe é uma das que mais sofre na espera pelo filho. “Não quero isso para família nenhuma, para nós está sendo terrível, minha mãe fica escutando os áudios dele e se remoendo”, relata Quintana. O primo e irmão de criação descreve ele como uma pessoa calma e sem inimigos. “Ele era um cara muito tranquilão, eu mesmo nunca soube de alguma desavença, por mais que ele fizesse parte da torcida organizada do Grêmio. Ele nunca foi de confusão, por isso a gente acredita em latrocínio.”

Segundo Quintana, a família tenta preservar o filho e o pai biológico de Silva, o menino mora com a mãe enquanto o homem vive em Santo Antônio da Patrulha e tem problemas de saúde. Sobre a criança, Quintana diz que preferem dar poucas informações enquanto não houver nada concreto, mas diz que ela já percebeu que a situação com o pai está fora do normal. “Estamos resguardando ele de qualquer informação porque ainda não temos muita informação, mas ele é um garoto esperto e já notou que há algo de errado.”

O desaparecimento de Silva mobilizou a cidade, e especialmente os demais motoristas de aplicativos de Guaíba. Por conta própria os amigos têm feito buscas pela cidade na tentativa de encontrar o corpo ou Silva ainda com vida. Ontem eles fizeram um protesto na cidade pedindo mais segurança. Os investigadores e familiares pedem que qualquer informação seja repassada à polícia, e a delegada Karoline garante que o sigilo do denunciante será mantido.