Polícia

Familiares de grávida morta estão sem dormir e comer, diz associação da zona Norte de Porto Alegre

Associação Amigos do Recanto do Sabiá acompanha família de Paula Janaína Ferreira Mello após crime na zona Norte da Capital

Paulo Monteiro e Gladis Ferreira, mãe da vítima, no cemitério São Miguel e Almas
Paulo Monteiro e Gladis Ferreira, mãe da vítima, no cemitério São Miguel e Almas Foto : Camila Cunha

O luto engole a família de Paula Janaína Ferreira Mello. A jovem de 25 anos foi morta às vésperas de completar nove meses de gestação, quando daria à luz ao pequeno Endrick, que foi retirado do ventre dela e também acabou morrendo. Uma mulher suspeita de assassinar a grávida para roubar o bebê teve prisão preventiva decretada, mas isso não ameniza a dor de quem convivia com as vítimas.

A Polícia Civil aponta que o crime ocorreu na última segunda-feira, no bairro Mario Quintana, na zona Norte de Porto Alegre. O corpo da gestante foi encontrado no dia seguinte, em um apartamento na rua Amarim. Ela morava a poucas quadras do imóvel, e estaria ali para receber um carrinho de bebê como presente da investigada.

Segundo a Associação Comunitária Amigos do Recanto do Sabiá (Acars), os parentes da grávida ainda estão em choque. A entidade atende 500 famílias na região, com entrega de cestas básicas e outros serviços essências, mas reserva atenção especial ao caso nos últimos dias.

O presidente da associação, Paulo Monteiro, afirma que mãe e companheiro da gestante não conseguem mais comer nem dormir. Ele destaca que a condição emocional do homem é o maior foco de preocupação.

"Estão todos devastados. O crime, além de acabar com a vida de uma mulher grávida e do bebê, também destruiu a família toda. A mãe e o marido não conseguem mais dormir nem se alimentar direito. No caso dele, é como se a vida tivesse acabado. Estamos atentos a isso, e temos prestado todo apoio possível, mas a situação é extremamente preocupante”, lamenta o presidente da Acars.

O jovem de 22 anos é descrito como alguém tímido e introspectivo. Ainda de acordo com Paulo Monteiro, associação e familiares atuam para que ele tenha acompanhamento médico e psicológico durante o período que sucede a tragédia.

"É um jovem que sempre foi muito fechado, e agora isso piorou. Ele virou quase um zumbi após o assassinato da Paula. É como se não houvesse mais um sentido na existência dele. A família nos disse que tenta convencê-lo a receber ajuda profissional em um posto de saúde”, diz o líder comunitário.

No domingo, uma mobilização na zona Norte da Capital clamava por justiça. Os manifestantes percorreram a região até a Praça México, no bairro Jardim Leopoldina. Com faixas e cartazes, eles pediam celeridade na resolução do caso.