Nenhum familiar dos dois irmãos mortos na noite desta segunda-feira solicitou ingresso no Programa Estadual de Proteção à Testemunha (Protege), segundo a vice-presidente do Conselho Deliberativo da entidade, delegada Jussara Simão. Ela explicou ainda que, para solicitar ingresso no programa, é preciso apresentar alguma prova de ameaça (como boletim de ocorrência) ou denúncia do Ministério Público.
Um terceiro irmão das vítimas já havia ingressado em janeiro no programa e há um quarto que permanece sem proteção. Jussara não informou a situação dos outros familiares. Os irmãos assassinados teriam se recusado a ingressar no Protege.
Leo Antônio Genovêncio Maciel Júnior, 23 anos, e Diogo Pereira Maciel, de 29 anos, eram filhos do líder comunitário da Vila Chocolatão Leo Antônio Genovêncio Maciel, de 57 anos, morto em dezembro do ano passado.
O delegado da 3ª Delegacia da Polícia Civil de Canoas, Guilherme Pacífico da Silva, responsável pelas investigações, ouviu familiares das vítimas e testemunhas durante a tarde. Em entrevista à Rádio Guaíba, Silva afirmou ter certeza que o assassinato do pai das vítimas tem relação com o crime ocorrido ontem. "A única coisa que a gente tem plena convicção é que um caso está ligado ao outro", afirmou Silva.
A polícia suspeita que o mandante do duplo assassinato seja um traficante preso acusado de também mandar matar Maciel por contrariar interesses do narcotráfico com suas obras sociais.
O crime
No momento do duplo assassinato, seis pessoas estavam na casa da família Maciel, entre elas a mãe das vítimas e duas crianças de três e dez anos. As testemunhas relataram que um dos homens pediu para os familiares trancarem as crianças no banheiro. Leo e o irmão foram levados para a cozinha, no fundo da casa, onde foram alvejados.
Familiares de irmãos mortos estão sem proteção, diz Protege
Órgão ainda não teria recebido pedido de auxílio de parentes de líder comunitário