Polícia

Filha de vereador de São Leopoldo relata dramas no sequestro

Adolescente de 16 anos não sofreu ameaças, mas testemunhou exigências ao pai no telefone

Adolescente passou a tarde no gabinete do pai
Adolescente passou a tarde no gabinete do pai Foto : Stephany Sander/Especial CP
Depois de passar 54 horas longe de casa e sob a mira de assaltantes, a filha do vereador Aurélio Schmidt, adolescente de 16 anos sequestrada na tarde do último sábado, passou a tarde desta terça-feira no gabinete do pai. Na Câmara Municipal de São Leopoldo, ela concedeu entrevistas e matou a saudade. "Eu sempre fui muito apegada a ele", declarou.

"Gosto de acompanhar as atividades dele como vereador e ajudar sempre que posso. Senti muita falta de falar com ele durante estes dias longe, agora quero curtir minha família", afirma a jovem. O sequestro aconteceu enquanto a filha de Aurélio trabalhava na padaria da família, já que a esposa, que trabalha no estabelecimento, havia viajado. "Em algumas ocasiões ela e a irmã mais velha sempre nos ajudam. Trabalho com comércio há mais de 30 anos e já passei por quase 40 assaltos. Nós sempre orientamos elas a manter a calma em situações de violência, mas jamais imaginaria que elas pudessem ser vítimas de sequestro", destaca o vereador.

A jovem relata que acreditou se tratar de mais um assalto comum, mas desconfiou quando um dos assaltantes a levou junto para o carro, depois de pegar a quantia do caixa. "O pai saiu para entregar umas tortas e nesse meio tempo entrou um homem e uma mulher, que nas últimas semanas tinha virado nossa cliente. Logo reconheci ela. Eles mandaram todos deitar no chão e pediram por dinheiro, mas me levaram junto dizendo que eu ia até a esquina com eles no carro. Assim que entrei no veículo, amarraram minhas mãos, vendaram meus olhos e colocaram um capuz. O sequestro foi então anunciado", lembra.

Segundo ela, a dupla pediu o telefone do seu pai e já alertou que pediria R$ 300 mil de resgate. "Eu disse que nós não tínhamos este dinheiro, que meu pai estava endividado. Em nenhum momento sofri ameaça, até porque tentei manter a calma, mas ouvia eles falarem para o pai que iriam me matar se não tivesse o valor. Até conversei com o chefe deles, que estava no presídio. Ele disse que meu pai tinha muito pouco pra oferecer". No primeiro cativeiro, a filha de Aurélio ficou da tarde de sábado até a manhã de domingo com capuz, as mãos e os pés amarrados. Foi servida comida e água, mas a jovem preferiu não se alimentar. "Eu não arrisquei, e acabei não comendo nada. Dormi bastante e depois de algumas horas, e muitas ligações para o pai, eles me colocaram no porta-malas do carro e disseram que iam me levar pra outro lugar", comenta.

O segundo cativeiro era uma casa vazia, suja, e sem energia elétrica. "Só bebia água e quando precisava ir no banheiro, tinha que ser na rua, com a menina do meu lado. Passaram-se muitas horas quando vimos a luz de uma lanterna, no meio da escuridão. Era a polícia, perguntando meu nome e dizendo que tudo tinha terminado. Logo pedi para falar com meu pai, e pelo telefone, disse que eu estava bem e que em breve estaria em casa" relata emocionada.

O pai, assim que foi alertado sobre o sequestro da filha mais nova, procurou ajuda policial, fazendo o registro na Brigada Militar de São Leopoldo, que o levou até a sede do Deic, em Porto Alegre, onde iniciaram as investigações, até o desfecho da operação que trouxe sua filha de volta para casa. "Em nenhum momento os assaltantes imaginavam que eu estava com a policia. Os agentes me passaram muita segurança durante as ligações para negociar o resgate, e eu tinha certeza que tudo daria certo", comemora o vereador enfatizando que se sente muito agradecido pelo auxílio emocional e suporte dado pelos policiais durante o sequestro.

"Não sei ainda se algo vai mudar. Sempre levei e busquei minhas filhas no colégio, sempre fui um pai cuidadoso. Queremos descansar um pouco antes de pensar em voltar a rotina com a padaria", destaca Aurélio. Já para sua filha, o final de ano terá um significado diferente. "Vou agradecer ainda mais por ter minha família por perto, e aproveitar cada momento ao lado dele", finaliza a adolescente.