Leo Antônio Genovêncio Maciel Júnior, 23 anos, e Diogo Pereira Maciel, de 29, filhos do líder comunitário da Vila Chocolatão, Leo Antônio Genovêncio Maciel, mortos nesta segunda-feira, não quiseram participar do Programa Estadual de Proteção à Testemunha (Protege). Conforme a coordenação do programa, ambos tomaram essa decisão logo após a morte do pai, em dezembro de 2009. Na manhã desta terça-feira, a família das vítimas foi retirada pela Polícia Civil da sua casa, em Canoas. O caso será encaminhado para o Ministério Público e para Secretaria de Segurança para que os parentes se tornem integrantes do Protege.
A coordenadora do programa de Auxílio e Assistência a Testemunhas Ameaçadas, Maríndia Duarte, disse que no início deste ano foi oferecida proteção aos irmãos assassinados na noite de segunda-feira. "Normalmente, o Ministério Público, Polícia Civil ou alguma delegacia encaminha para proteção. Os dois que optaram por não participar do programa". Os familiares das vítimas devem prestar depoimento hoje à Polícia Civil sobre o ataque da noite de segunda.
Investigação
O inspetor da 1ª Delegacia de Polícia do município Sérgio Zolim explicou que a principal linha de investigação está direcionada à suspeita de que um traficante preso desde janeiro de 2009 tenha ordenado a morte dos filhos do líder comunitário, assassinado no final do ano passado na vila Chocolatão, em Porto Alegre, por contrariar interesses do narcotráfico com suas obras sociais.
No próximo dia 15 haverá uma audiência na Capital na qual testemunhas do crime devem depor. Sérgio Zolim não descarta que a execução dos irmãos tenha sido uma forma de intimidação e para calar as testemunhas da morte do líder comunitário. O nome da mulher do traficante preso surgiu entre os suspeitos de envolvimento no duplo assassinato.
Quinze minutos antes da invasão da casa, um Astra de cor preta foi visto na rua onde ocorreu o crime, em Canoas. Para entrar na casa, dois homens armados “pedalaram” a porta, ficando a marca de um tênis. Eles teriam ordenado que os dois irmãos fossem para a cozinha, onde tiveram que ajoelhar. Mesmo implorando para não serem mortos, eles foram baleados à queima-roupa. A mãe e o padrasto das vítimas, além da companheira de um deles, um tio cadeirante e dois sobrinhos pequenos, haviam sido colocados na sala e no banheiro.
Pedindo para não ser identificada, a família espera que as autoridades prendam os responsáveis e evitem novas mortes. Outros cinco irmãos das vítimas estão com medo. A companheira de uma das vítimas contou que as ameaças de morte surgiram há duas semanas e, por isso, os dois irmãos deixaram a vila Chocolatão e foram para a casa da mãe, em Canoas. Sobre a execução, ela revelou que os desconhecidos invadiram a casa aos gritos e anunciaram um assalto, mas depois mostraram a verdadeira intenção de matar os dois.
A mãe das vítimas chorava e desabafava dizendo que já tinham matado o pai e agora chegou a vez dos filhos. “Querem matar todos”, declarou. Ela disse que não tem para onde ir se não puder voltar à casa da família. O tio cadeirante, que estava deitado no sofá da sala, relembrou que foi “horrível e pavorosa” a noite de segunda-feira. “O que aconteceu foi uma covardia”, afirmou. Segundo ele, os bandidos disseram que haviam “achado o que queriam”. Outro irmão, também ameaçado de morte, está apavorado. Ele disse que o pai foi morto por que os traficantes na vila Chocolatão não gostavam do trabalho comunitário, sobretudo por causa da presença de órgão públicos.
Crime
Dois irmãos, filhos do líder comunitário da Vila Chocolatão executado em 2009, na Capital, foram assassinados na noite desta segunda-feira. Leo Antônio Genovêncio Maciel Júnior, de 23 anos, e Diogo Pereira Maciel, de 29 anos jantavam com a família, na casa do bairro Igara, em Canoas, quando dois homens armados invadiram a residência, por volta das 20h. Dois foram executados. Crime teria sido ordenado por um traficante preso.
Filhos de líder comunitário executados teriam recusado integrar programa de proteção
Já outros familiares foram retirados hoje de casa para encaminhamento ao serviço