Polícia

“Foi uma execução”, diz irmão de engenheiro morto em perseguição da BM

Corpo de Vilmar Mattiello foi sepultado na manhã desta sexta

Corpo do engenheiro civil Vilmar Mattiello foi sepultado nessa manhã
Corpo do engenheiro civil Vilmar Mattiello foi sepultado nessa manhã Foto : Alina Souza
O corpo do engenheiro civil Vilmar Mattiello, de 58 anos, foi sepultado na manhã desta sexta-feira no cemitério São Miguel e Almas, em Porto Alegre, sob fortes sentimentos de dor e tristeza de familiares, amigos e colegas. Ele foi baleado por um policial militar na madrugada de quinta-feira na avenida Wenceslau Escobar, no bairro Tristeza, e morreu durante atendimento médico. Após o sepultamento, o juiz federal Fábio Matiello, irmão do engenheiro civil, fez uma desabafo à reportagem do Correio do Povo. “Foi uma execução”, assegurou.

Fábio Matiello afirmou ainda que “os três tiros foram dados para matar”. Para ele, os brigadianos “queriam pôr um fim à perseguição”. Conforme o magistrado, uma infração de trânsito não pode ser tratada com “pena de morte”. Ele ressaltou que o cumprimento do que está previsto em lei sempre deve nortear o trabalho policial. “Não sei o que passou pela cabeça dos policiais militares”, observou, destacando ainda que ficou evidente o “total despreparo” profissional. Fábio Matiello disse que confia nas instituições e espera que as investigações resultem na punição dos responsáveis. “Isso vai ficar comprovado”, previu.

Conforme relato do efetivo do 1º Batalhão de Polícia Militar, envolvido na ocorrência, Vilmar Mattiello estava com um amigo em um Honda Civic que passou em alta velocidade pelo sinal vermelho na avenida Otto Niemeyer, esquina com a rua Camaquã. Houve então perseguição de uma viatura com três brigadianos que estavam no local. Na avenida Wenceslau Escobar, outros dois policiais militares de um posto da BM foram impedir a passagem do carro e um deles atirou contra o automóvel, sendo que um disparo atingiu o engenheiro civil que conduzia o automóvel. A alegação do policial militar é de que o veículo vinha na direção deles. Desgovernado, o carro chocou-se contra um poste de concreto da rede de energia elétrica. O amigo que estava com ele não teve ferimentos. 

O caso é investigado pela 6ª Delegacia de Polícia de Homicídio e Proteção à Pessoa (6ª DPHPP). Além dos depoimentos dos policiais militares envolvidos, sobretudo do autor do disparo, do amigo da vítima e de outras possíveis testemunhas, a delegada Elisa Souza aguarda ainda os laudos periciais do Departamento de Criminalística e do Departamento Médico Legal. Ela ressaltou que, por enquanto, é prematuro avaliar o episódio e fazer qualquer julgamento prévio das partes envolvidas. Os agentes procuram inclusive por imagens de câmeras de monitoramento da região do bairro Tristeza. Por sua vez, a Brigada Militar abriu um Inquérito Policial de Militar (IPM) para apurar a ocorrência.