Polícia

"Fomos vítima de um golpe", diz Arcebispo de Porto Alegre

Sub-procuradoria-Geral de Justiça determinou investigação sobre supostos crimes envolvendo a Arquidiocese da Capital

A Sub-procuradoria-Geral de Justiça para Assuntos Jurídicos determinou a abertura de procedimento investigativo para apurar eventuais crimes que teriam sido praticados por um membro do corpo diplomático de Portugal envolvendo a Arquidiocese da Capital. O caso será investigado pela Promotoria Criminal de Porto Alegre. "Fomos vítima de um golpe", disse o arcebispo de Porto Alegre, dom Dadeus Grings. Ele aponta o ex-vice-cônsul de Portugal na Capital, Adelino D’Assunção Nobre de Melo Vera Cruz Pinto, como responsável por um suposto golpe contra a Arquidiocese de Porto Alegre.

Pinto seria o responsável de intermediar a negociação de um investimento de R$ 12 milhões, feito por uma organização não-governamental belga, para a restauração das igrejas Nossa Senhora da Conceição, em Porto Alegre, e Bom Senhor, em Triunfo, além da Cúria Metropolitana, na Capital. "Para receber os recursos, tivemos que dar uma caução de R$ 2,5 milhões e depositamos o dinheiro na conta do ex-vice-cônsul, que alegou estar intermediando as negociações para a liberação do dinheiro, via Projeto de Restauração do Patrimônio de Origem Portuguesa."

O vice-cônsul teria, inclusive, levado documentos a Portugal e confirmado que a ONG repassaria 70% do valor das obras à arquidiocese. “Nunca recebemos a doação e agora lutamos para receber o nosso dinheiro de volta”, afirmou dom Dadeus. Por se tratar de um diplomata, o arcebispo ressaltou não ter desconfiado da possibilidade de um estelionato.

Dom Dadeus disse que havia um acordo de que os R$ 2,5 milhões retornariam para a Arquidiocese de Porto Alegre tão logo a doação fosse concretizada. O prazo para receber a doação, dia 31 de janeiro, expirou. Havia uma promessa de que o dinheiro seria devolvido à Arquidiocese em 11 de abril, o que não ocorreu. O Ministério de Relações Exteriores acompanha os desdobramentos do caso.

“Um promotor de Justiça apurará o caso e requisitará as diligências investigatórias que julgar necessárias”, salientou o subprocurador-geral de Justiça para Assuntos Jurídicos, Ivory Coelho Neto. Na avaliação de Coelho Neto, ainda é prematura a análise da questão da imunidade. “Inicialmente vamos investigar o fato. Somente após o término das investigações poderemos chegar à conclusão de que se trata ou não de fato típico, identificando o autor ou autores”, explicou. O subprocurador afirmou que, “gozando o autor de imunidade diplomática, o Ministério Público poderá providenciar o pedido de renúncia junto ao governo português.


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