Ainda é apurada a motivação de um triplo homicídio em Alvorada, na quarta-feira. Ninguém foi preso até o momento, mas há setores das forças de segurança que identificaram um homem de 41 anos, recém-saído do sistema prisional, como possível mandante. Entretanto, a Polícia Civil não confirma a informação e diz que ele não é investigado.
Conhecido como Alfão, o homem foi condenado a mais de 58 anos de reclusão por homicídio, extorsão mediante sequestro, roubo a agência bancária, tráfico internacional de armas, entre outros. Ele cumpriu pouco mais de 19 anos da pena, mas acabou saindo da prisão no segundo semestre do ano.
A medida ocorreu após ele ter dois processos, por homicídio qualificado e roubo majorado, arquivados em 2023. Também houve o benefício de um indulto presidencial, editado no fim de 2022, suprimindo as penas dele por receptação e associação criminosa.
Com a nulidade das condenações, somada ao tempo em que ficou na cadeia, ele acabou ganhando permissão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) para responder em regime semiaberto.
O criminoso saiu da Penitenciária Estadual do Jacuí (PEJ) no dia 28 de junho e, desde então, está nas ruas com tornozeleira eletrônica.
Tráfico em Alvorada
Não é descartada ligação entre a soltura do bandido e as três mortes em Alvorada. Isso porque Alfão seria liderança de uma facção oriunda do bairro Bom Jesus, na zona Leste de Porto Alegre, mas que também criou ramificações na região Metropolitana.
O triplo homicídio ocorreu no bairro Tijuca. A região é um dos únicos locais em Alvorada onde restam traficantes rivais ao grupo do ex-presidiário, que já controla quase todo o comércio ilegal de drogas na cidade.
Na visão de alguns policiais, o criminoso voltou às ruas com a missão de estabelecer o controle hegemônico da facção no tráfico do município.
Quem é o ex-presidiário
Relatórios da polícia apontam Alfão como liderança do crime organizado em Alvorada. Ele seria braço direito de um gerente do tráfico local chamado 'Rafinha', que cumpre pena na Penitenciária Estadual do Jacuí (PEJ).
Em 2006, Alfão foi indiciado em um inquérito da Polícia Federal sobre gaúchos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A investigação indicou que ele era membro de uma quadrilha de assalto a bancos, que contava com apoio da facção paulista.
Cinco anos depois, em novembro de 2011, ele foi apontado como um dos responsáveis pela execução de um paciente dentro do Hospital Dom João Becker, em Gravataí. A vítima, um homem de 25 anos, seria um traficante rival.
Em 2014, o criminoso foi condenado por participação no sequestro de uma mulher e dos filhos dela, sendo uma menina de 9 anos e um bebê de 10 meses. Ele recebeu pena de 15 anos de prisão pelo crime.
O crime
O triplo homicídio ocorreu por volta das 5h30min de quarta-feira, no bairro Tijuca. De acordo com a Brigada Militar, homens armados e vestidos de policiais invadiram o terreno de uma reciclagem, onde as vítimas moravam em duas casas.
Foram mortos a tiros três homens, de 33, 29 e 27 anos. Após o crime, os assassinos fugiram em uma caminhonete.
Chama atenção que nenhuma das vítimas tinha antecedentes criminais graves, apenas passagens por delitos considerados menores e sem potencial lesivo, como furto. De acordo com a BM, eles não eram integrantes de facção, mas usavam drogas. Por isso que há suspeita do ataque ter sido uma espécie de recado dos atiradores ao grupo criminoso que atua no bairro Tijuca.