Em todas as cidades gaúchas ocorreu um sirenaço de viaturas pontualmente às 10h. Continências foram prestadas inclusive pelos brigadianos. Nesse horário estava sendo sepultado o corpo do policial civil no cemitério municipal de Guaíba, onde efetivos de todas as instituições estavam presentes, inclusive com os respectivos comandos.
O Chefe de Polícia Civil, delegado Emerson Wendt, e o Comandante-Geral da Brigada Militar, coronel Mário Ikeda, compareceram à despedida ocorrida sob forte emoção e realizada também ao som das sirenes das viaturas por cinco minutos. Já o helicóptero da Polícia Civil promoveu uma chuva de pétalas de rosas.
Após o sepultamento, o Chefe de Polícia Civil, delegado Emerson Wendt, confirmou que as buscas ao criminoso conhecido como Bilinha, suspeito de ser o autor do disparo que matou o inspetor, prosseguiam na região de Pareci Novo, mas com menor intensidade devido às chances remotas do foragido e de um cúmplice estarem ainda na área.
Barreiras permaneciam montadas. Mesmo assim, dois indivíduos foram capturados nas diligências na noite de quarta-feira, sendo que um foi apontado como compadre de Bilinha e portava duas espingardas e uma pistola. Já o segundo detido era um foragido sem envolvimento com o caso. “Vamos continuar nas buscas enquanto for preciso”, resumiu, agradecendo o apoio das outras forças de segurança pública. O foco principal, esclareceu Emerson Wendt, já está sendo agora um trabalho de inteligência para descobrir o paradeiro do criminoso. O Chefe de Polícia Civil observou também que as circunstâncias em que o inspetor Leandro de Oliveira Lopes foi morto estão sendo apuradas pela instituição.
“Toda morte de um policial naturalmente sofre uma análise e revisão dentro das instituições. Certamente faremos a nossa para verificar o que pode ser melhorado”, destacou. De acordo com ele, a operação policial em Pareci Novo foi planejada e executada com “maioria de força” pois sabiam-se dos riscos envolvidos. “Houve uma circunstância que infelizmente fugiu da intenção de qualquer um dos presentes naquele momento”, sintetizou, acrescentando que sempre existe a preocupação com a segurança dos agentes em operações.
Atuante na operação em Pareci Novo, o delegado Luiz Firmino, da Delegacia de Polícia de Homicídios e Proteção à Pessoa de Canoas, recordou o que ocorreu no momento em que inspetor Leandro de Oliveira Lopes foi baleado. “Ele estava próximo de mim. Antes mesmo de chegarmos já fomos recebidos a tiros”, lembrou. “Ela um profissional dedicado, diferenciado e pró-ativo. Ele estava sempre alegre e disposto. Trazia as ideias ao invés de perguntar o que fazer. Foram assim nesses cinco meses de convivência com ele que amava o que estava fazendo. Era um sonho dele…”, ressaltou.
Sindicato faz protesto
Em Porto Alegre, a Ugeirm Sindicato realizou uma carreata que começou no Palácio da Polícia, na avenida João Pessoa. Uma faixa de luto foi colocada sobre o nome da instituição que está em um pedestal. Policiais federais participaram juntos. Com as sirenes acionadas, as viaturas deslocaram-se pela BR 290 até o cemitério municipal de Guaíba.
Antes da carreata começar no Palácio da Polícia, o presidente da Ugeirm Sindicato, Isaac Ortiz, criticou o “número excessivo de operações” pois entende que está sendo “cobrada a quantidade e não qualidade”. O dirigente sindical quer saber “quais os cuidados quando se faz uma operação”. Ele enfatizou que “a perda do Leandro representa uma dor muito grande para nós”. “Queremos saber o que aconteceu e queremos todas as explicações”, concluiu. “As críticas são mais oportunistas do que propriamente outra coisa”, contrapôs o delegado Emerson Wendt.