Operação deflagrada pela Polícia Civil nos municípios gaúchos de Alegrete e Porto Alegre e em Vitória, no Espírito Santo, apurou que os fraudadores seriam um ex-tesoureiro e um ex-conselheiro da entidade. A suspeita surgiu dentro do próprio SindBancários, que denunciou o crime à corporação após uma auditoria. “(A auditoria) verificou que estava havendo problemas nas contas, nos valores a serem pagos em ações coletivas. Havia suspeita de desvio desse dinheiro. Eles então entraram em contato conosco e começamos a desenrolar esse nó”, detalhou o delegado Daniel Medelski.
Cerca de 50 bancários, alguns são até herdeiros dos mesmos, teriam sido prejudicados. “Muitos bancários já falecidos teriam sido vítimas desse esquema”, destacou Medelski. De acordo com as investigações, o montante desviado deve superar os R$ 3 milhões. “Por enquanto, levantamos R$ 3 milhões. Acreditamos que agora, com a descoberta de outras pessoas, outras vítimas, esses valores podem até duplicar”, projetou.
A origem do dinheiro são alvarás judiciais concedidos em ações coletivas dos bancários, sobre perda salarial, aumentos, entre outros. No entanto, sem que os beneficiários soubessem, os suspeitos sacavam o dinheiro por meio dos alvarás judiciais. Após isso, emitiam cheques e faziam as transferências. “Eles pegavam os valores das ações coletivas em favor dos bancários e emitiam novos cheques. Essas pessoas que estavam para receber nem sabiam do dinheiro”, explicou o delegado.
Com o tempo, os suspeitos passaram a comprar residências, automóveis e fazendas – uma delas localizada no Alegrete. Um dos beneficiados com a fraude se mudou para o Espírito Santo, o que explica o cumprimento de mandados de busca e apreensão em Vitória. "Tivemos grande ajuda da Agência de Inteligência da Polícia Civil do Espírito Santo que nos auxiliou a localizar esse alvo", ressaltou.
Os bens e as contas bancárias do ex-tesoureiro e um ex-conselheiro estão bloqueados. Entretanto, a Justiça negou o pedido de prisão, solicitado pela Polícia Civil. Conforme o delegado Daniel Medelski, uma nova tentativa ainda será avaliada.
Na ação deflagrada nesta segunda-feira, foram apreendidos documentos, 11 carros, um revólver calibre 38, celulares, fotos, vídeos, agendas, cadernetas, computadores e dinheiro. Três pessoas foram presas - uma na Capital e duas em Alegrete - por posse ilegal de arma de fogo.