A Polícia Penal do Rio Grande do Sul inaugurou nesta quinta-feira sua primeira sede administrativa própria, em Porto Alegre. Com investimento de R$ 41,9 milhões, o complexo foi construído na área do Instituto Psiquiátrico Forense Doutor Maurício Cardoso (IPF), na avenida Bento Gonçalves, no bairro Partenon.
Com mais de 5 mil metros quadrados, a estrutura foi projetada para abrigar cerca de 400 servidores. O espaço, que começou a ser construído em setembro de 2025, reúne salas técnicas, ambientes de apoio, alojamentos e áreas administrativas destinadas às diferentes atividades da instituição.
A cerimônia contou com a presença do governador Eduardo Leite (PSD) e de representantes de instituições da área da segurança e da Justiça. O secretário da Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo, Cesar Atilio Kurtz Rossato, destacou que o caminho até a nova sede própria foi marcado por mudanças e perdas de estruturas. Parte da administração da então Susepe funcionava no antigo prédio da SSP, na rua Voluntários da Pátria, destruído por um incêndio em 2021. Em 2022, a instituição ganhou uma sede na avenida Sertório, também atingida pela enchente de maio de 2024.
A inauguração da nova sede se soma a outros investimentos do governo estadual na área da segurança pública. Durante a cerimônia, o superintendente da Polícia Penal, Sérgio Ilha Dalcol, destacou especialmente avanços na estruturação da Polícia Penal: como a aprovação do Estatuto da Polícia Penal, em dezembro de 2025, o maior chamamento de servidores da história da instituição e o investimento inédito em armamento para a categoria.
Leite comenta possibilidade de extinção da SSPS
O governador eleito do Rio Grande do Sul, Luciano Zucco (PL), anunciou que pretende reunificar a partir de janeiro de 2027 a Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo (SSPS) com a Secretaria da Segurança Pública (SSP), revertendo a separação promovida pelo governador Eduardo Leite (PSD) em 2018. Para a chefia da pasta foi anunciado Mauro Sinott Lopes, que atuou na intervenção federal na segurança do Rio de Janeiro e comandou a 3ª Divisão do Exército, em Santa Maria. Seu adjunto será Mário Ikeda, atual titular da pasta na gestão de Eduardo Leite (PSD).
Durante o evento desta quinta-feira o atual governador afirmou que considera acertada a decisão de dar ao sistema prisional uma secretaria própria. Segundo ele, a separação permitiu direcionar investimentos e evitar que as demandas da Polícia Penal disputassem recursos e atenção com as demais forças de segurança. Na avaliação do governador, a separação foi importante para recuperar o sistema prisional gaúcho, que acumulava uma grande defasagem de investimentos.
“Nós conseguimos evoluir muito com a estrutura que nós demos, com a Secretaria do Sistema Penal especificamente, porque o tamanho da defasagem que a gente tinha do investimento no sistema prisional gaúcho era tão grande que colocar essa carga da administração na mesma Secretaria de Segurança Pública acabaria gerando um desafio adicional”, defendeu leite.
Uma das principais preocupações apontadas por Leite é que, com a reunificação, as demandas do sistema prisional passem a disputar atenção e recursos com as demais forças de segurança e acabem ficando em segundo plano. Isso porque, segundo ele, investimentos no sistema prisional têm menos apelo popular e, quando disputam espaço com recursos destinados ao policiamento ostensivo e investigativo, essas áreas tendem a ser priorizadas por serem mais diretamente percebidas pela sociedade.
O governador, porém, ressaltou que a estrutura prisional é parte fundamental da política de segurança pública. Ele aponta que a falta de presença e organização do Estado dentro dos presídios faz com que a privação de liberdade não aconteça de forma efetiva nem se cumpra o papel da ressocialização.
“Se queremos uma sociedade mais segura aqui fora, é fundamental que lá dentro o Estado tenha condições de manter um sistema prisional bem organizado”, disse Leite, que encerrou destacando que respeita a decisão de Zucco e a autonomia do futuro governo para definir a organização administrativa do Estado.