Centenas de páginas com degravações de escutas telefônicas distribuídas em cerca de dez volumes compõem parte dos dados sigilosos sobre a Operação Mercari, acessados nesta semana pelo Banrisul e pelas agências de publicidade DCS e SLM, que mantinham contratos com o banco, agora colocados sob suspeita. A informação foi confirmada pelo advogado Auri Lopes Junior, defensor do sócio da SLM Gilson Stork, que recebeu, nesta terça-feira, cópias dos documentos, mediante autorização da Justiça.
Segundo ele, gravações de telefonemas de suspeitos e pessoas que participavam das ações de marketing do banco fundamentam provas levantadas pela Polícia Federal e pelos Ministérios Públicos Estadual e de Contas. Os três órgãos apontam que uma quadrilha desviou pelo menos R$10 milhões da instituição ao superfaturar contratos. Como o caso segue em segredo de Justiça, Lopes Junior e defensores de outros acusados evitam dar detalhes sobre o conteúdo das acusações.
"Começarei a analisar todos os documentos da investigação e, assim, estabelecer os futuros passos da defesa", disse o advogado, que através de um pedido de liberdade provisória, tirou, semana passada, Stork da carceragem da sede da PF, em Porto Alegre, onde estava preso. Além do dirigente da SLM, outras três pessoas foram detidas na ação, entre elas o ex-superintendente de marketing do Banrisul, Walney Fehlberg.