O motivo da greve, segundo o Sindicato Nacional dos Servidores do Plano Especial de Cargos da Polícia Federal, é um protesto contra o desvio de função dos profissionais contratados. De acordo com o relatório de despesas, produzido pela Diretoria de Administração e Logística da PF, em 2010, foram mantidos contratos com 4.770 funcionários terceirizados, gerando um custo mensal de mais de R$ 10 milhões para a corporação.
O sindicato diz que a maioria dos profissionais é contratada de forma regular, mas termina sendo desviada para postos que, conforme a lei, devem ser exclusivamente preenchidos pelos servidores de carreira. Ainda conforme os sindicalistas, a Polícia Federal recorre à terceirização para suprir a carência de servidores administrativos, que deixam o órgão em função do baixo salário – em média, quatro vezes menores que o dos policiais.
Os trabalhadores pedem a reestruturação da carreira e defendem que o sigilo dos dados armazenados pela PF. “Hoje são 3 mil servidores do quadro em todo o País. Ou seja, o número de terceirizados supera o de funcionários. Eles têm acessos a dados sigilosos do sistema e não concordamos com isso”, disse a vice-presidente nacional da entidade, Cleuza Menezes. Segundo ela, haverá uma assembleia, na tarde desta quarta-feira, para estabelecer um prazo para que o Ministério da Justiça receba os manifestantes. Caso o tempo estipulado para a reunião não seja cumprido, os servidores podem estender a paralisação para 48 horas, conforme Cleuza.