Polícia

Grupo suspeito de usar nome de delegado para aplicar o “golpe dos nudes” é alvo da Polícia Civil

Operação Persona Ficta cumpriu três mandados de prisão preventiva e duas outras ordens judiciais de busca e apreensão

Operação Persona Ficta foi deflagrada nesta quinta-feira pelo Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos
Operação Persona Ficta foi deflagrada nesta quinta-feira pelo Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos Foto : Polícia Civil / CP

Criminosos que atuavam de dentro do sistema penitenciário gaúcho são investigados por usar falsamente a identidade de um delegado da alta cúpula da Polícia Civil para extorquir vítimas por meio do “golpe dos nudes”. O grupo é alvo da Operação Persona Ficta, deflagrada nesta quinta-feira pelo Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DERCC). A ação cumpriu três mandados de prisão preventiva e duas ordens judiciais de busca e apreensão.

A investigação começou após uma vítima registrar ocorrência relatando que foi abordada por meio de um perfil no WhatsApp e passou a trocar mensagens e imagens íntimas com uma pessoa que se apresentava como mulher. Depois de obter o conteúdo, os suspeitos passaram a ameaçar divulgar o material a familiares, amigos e ao local de trabalho da vítima, exigindo dinheiro para evitar a exposição.

Segundo o diretor do DERCC, delegado Eibert Moreira, o esquema era dividido em etapas. Primeiro, os criminosos se aproximavam das vítimas por redes sociais e aplicativos de relacionamento. Depois de conquistar a confiança e obter imagens íntimas, um dos envolvidos se apresentava como mãe da suposta adolescente, alegando que levaria o caso à polícia.

Na sequência, entrava em cena um falso delegado, que cobrava dinheiro para supostamente impedir o avanço de uma investigação. “Eles praticaram o crime de extorsão, além do crime de falsa identidade. O delegado que aparecia nas conversas não era o próprio policial, mas alguém que utilizava indevidamente o nome de uma autoridade da alta cúpula da Polícia Civil”, explicou Moreira.

Conhecido como “golpe dos nudes”, o método é usado para intimidar vítimas com a ameaça de divulgação de imagens íntimas. Conforme o delegado, a prática foi estruturada por detentos do sistema penitenciário do Rio Grande do Sul e passou a atingir pessoas de diferentes estados brasileiros.

“É um modelo de crime que tem origem aqui no sistema penitenciário gaúcho, uma modalidade que ganhou uma roupagem criada pelos próprios detentos e que faz vítimas em todo o Brasil”, afirmou o diretor do DERCC.

Neste caso, a vítima principal estava em São Paulo, mas a Polícia Civil também identificou ocorrências semelhantes no Rio Grande do Sul. A investigação apontou que a mesma linha telefônica usada pelo falso delegado havia aparecido em outras duas ocorrências, registradas em municípios do interior gaúcho, em novembro de 2025 e março de 2026.

Nesses casos, as vítimas também teriam sido abordadas após contato inicial com perfis femininos e, posteriormente, ameaçadas por pessoas que se passavam por autoridades policiais. Os suspeitos alegavam a existência de ocorrências ou mandados de prisão e exigiam pagamentos para não dar prosseguimento aos supostos procedimentos.

Detentos continuavam praticando crimes

O trabalho da Delegacia de Polícia de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DPRCC), vinculada ao DERCC, incluiu análise das conversas apresentadas pela vítima e de dados telemáticos. O cruzamento das informações permitiu individualizar a participação de três investigados, dois deles já recolhidos ao sistema penitenciário na época dos fatos.

A Justiça decretou a prisão preventiva dos três suspeitos. Segundo a Polícia Civil, a medida levou em consideração a gravidade das condutas, a suspeita de reiteração criminosa e o fato de que a condição de detentos não teria impedido o acesso aos meios de comunicação utilizados nas extorsões.

As investigações continuam para identificar outras possíveis vítimas e apurar a participação de todos os envolvidos. Os suspeitos são investigados, inicialmente, por extorsão, falsa identidade e associação criminosa.

Veja Também