O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, falou nesta quinta-feira sobre a operação contra um dos maiores devedores de ICMS dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro e da União. Conforme Haddad, os criminosos investigados teriam criados dezenas de empresas e fundos num paraíso fiscal dos Estados Unidos que simulavam investimentos, mas na realidade escondiam recursos de origem ilícita. Depois de passar por esses locais, o dinheiro retornava ao Brasil como se fosse lícito.
"É uma operação que é um desdobramento da operação Carbono Oculto. O crime organizado tem utilizado o estado de Delaware, nos Estados Unidos, que é um paraíso fiscal, para montar operações de evasão de divisas e lavagem de dinheiro. São dezenas de empresas e fundos que foram abertos”, explicou Haddad.
Conforme o ministro, a operação demonstra um esforço do crime que vai além das fronteiras do País. “Há empréstimos para esses fundos, que não seriam pagos, e que voltam em forma de aplicação lícita. O dinheiro que vai para lá, porém, não é lícito. É uma operação de triangulação internacional gravíssima”, acrescentou.
Haddad colocou ainda que operação desta quinta-feira bloqueou R$ 8 bilhões em fundos. “É uma operação que mostra que nós devemos trabalhar para asfixiar o poderio financeiro do crime organizado. E nós temos de trabalhar na frente que envolve o projeto do devedor contumaz. Já aperfeiçoamos o texto e precisamos aprová-lo”, declarou.
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Haddad disse que sugeriu, junto com o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, que o crime organizado deveria ser pauta das negociações do Brasil com os Estados Unidos. "Por isso que nós sempre insistimos na necessidade imperiosa de se votar o projeto do devedor contumaz", disse o ministro. "Não tem nada a ver com posição ou oposição, é para o Brasil", completou.
O ministro afirmou que irá levar aos EUA informação de fundos de lá usados em lavagem. Conforme Haddad, que o governo fez uma representação junto ao Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro para Justiça processar envolvidos na operação Poço de Lobato. “O Rio de Janeiro deixou de arrecadar o que ele gasta com a polícia por um ano. Esse é o volume de recursos que está envolvido”, completou.