“Quando chegamos, ele estava no pátio de casa rindo, com o telefone na mão. Os vizinhos já começaram a falar que ele havia passado trote. Não era a primeira vez que fazia isso”, disse a médica emergencista Cláudia Munhoz. O homem pegou um cassetete e ainda ameaçou os socorristas. A Brigada Militar de Terra de Areia foi chamada e o deteve. Logo após, ele foi encaminhado para a Delegacia de Polícia de Capão da Canoa. “Retiramos uma ambulância de retaguarda usada para atender vítimas graves de acidentes de trânsito nas estradas. A sorte é que não aconteceu nenhuma colisão nesse meio tempo”, afirmou o coordenador estadual da Central de Regulação do Samu, Maicon Vargas.
Segundo Vargas, são recebidos diariamente 5,7 mil chamados de socorro no Estado, sendo que de 36% a 51% do total são trotes. “Tomara que essa prisão sirva de lição para outras pessoas deixarem de fazer isso. Antes de deslocar uma equipe temos que fazer diversas perguntas para confirmar a veracidade”, destacou. O procedimento acaba atrasando o serviço.
Por causa das ligações falsas, muitas pessoas que realmente precisam de ajuda deixam de ser atendidas e, em casos extremos, chegam a morrer por demora de socorro. “Recursos são jogados fora. Outro problema é que a linha de telefone de um serviço de urgência fica ocupada, quando existem pessoas necessitando ajuda”, explicou. No Litoral Norte, há 20 ambulâncias, sendo 11 de suporte básico e nove UTIs de reforço, além de dois helicópteros e um avião UTI.
Sancionada pelo governador Tarso Genro em 2011, a lei de autoria do deputado Carlos Gomes (PRB) busca conter o gasto público e a perda de tempo das equipes com o atendimento de chamados e ocorrências inexistentes.