Um homem acusado pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) pelo feminicídio da namorada Brenda dos Santos Baptista, de 20 anos, em julho de 2024, na Zona Leste de Porto Alegre, foi condenado pelo Tribunal do Júri a uma pena de 26 anos de reclusão. O julgamento ocorreu nesta terça-feira, 2 de setembro, na 4ª Vara do Júri do Fórum Central da Capital, com atuação da promotora de Justiça Luciana Cano Casarotto.
Durante a sessão do Tribunal do Júri, o MPRS sustentou a acusação de homicídio quadruplamente qualificado – por motivo torpe, uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, asfixia e feminicídio – além de ocultação de cadáver. A promotora destacou que o crime foi cometido com extrema crueldade e surpresa, evidenciando o contexto de violência contra mulheres em relações íntimas.
Segundo as investigações, o crime ocorreu após o casal embarcar em um ônibus com destino a uma festa junina. Brenda foi morta por asfixia, com um golpe conhecido como "mata-leão", e teve o corpo abandonado em uma área de mata na Estrada João de Oliveira Remião. A motivação, conforme a denúncia, está relacionada ao fato de a vítima ter informado ao réu que estaria grávida. Um teste de gravidez positivo foi encontrado entre seus pertences, embora exames posteriores não tenham confirmado a gestação.
“A condenação é um ato de justiça, que reafirma que Porto Alegre não tolera violência extrema contra mulheres que confiam em quem, tragicamente, as mata”, afirmou a promotora Luciana Cano Casarotto. Ela reforçou o compromisso do MPRS em buscar justiça para as vítimas de feminicídio e combater a impunidade em casos de violência de gênero.
A advogada Patrícia Savela, que representa o acusado, se manifestou através da seguinte nota: “Recebi a tarefa de patrocinar a Defesa do réu durante o Plenário. Um dos processos mais difíceis em que atuei. Conforme ventilado na mídia, houve, na fase inquisitória, uma pseudo confissão de Bruno, o que influenciou o convencimento do Conselho de Sentença, que declinou pela condenação. A atuação enquanto defesa técnica foi pautada pelo respeito, comprometimento e ética. Independente do resultado, saímos com o dever cumprido e a certeza da entrega absoluta. Iremos recorrer da decisão.
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