Polícia

Homem investigado por estupro em Torres é preso

Ministério Público diz que já denunciou o suspeito três vezes e que outras mulheres também relatam terem sido vítimas dele

Um homem de 47 anos, investigado pelo estupro de uma mulher em Torres, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, foi preso nesta quinta-feira em Balneário Camboriú, em Santa Catarina. A prisão ocorreu após parecer do Ministério Público gaúcho (MPRS), emitido em 28 de julho, favorável à decretação da prisão preventiva.

O MPRS informou que atua no caso, que envolve acusações de ameaça, perseguição, violência psicológica e descumprimento de medidas protetivas, há mais de um ano. O homem já foi denunciado três vezes pelo órgão por crimes cometidos contra uma mesma vítima.

No documento, assinado pelo promotor de Justiça Márcio Roberto Silva de Carvalho, o MP também cita a existência de relatos de outras mulheres que afirmam ter sido vítimas de violência praticada pelo investigado. De acordo com o documento, esses relatos ganharam ampla repercussão após serem divulgados em uma página criada nas redes sociais e reforçam os elementos considerados na avaliação da necessidade da prisão cautelar.

“A repercussão pública ocorreu agora em razão das manifestações e denúncias divulgadas nas redes sociais. Contudo, é importante destacar que o Ministério Público já vinha atuando no caso desde o momento em que tomou conhecimento dos fatos, adotando as medidas cabíveis para a responsabilização do investigado e a proteção da vítima”, afirma o promotor de Justiça Márcio Roberto Silva de Carvalho.

As denúncias

Segundo os autos, a vítima apresentou um relato considerado detalhado e coerente sobre as violências sofridas. Entre os fatos investigados está a suspeita de que ela tenha sido obrigada a manter relação sexual sem consentimento, além de ter sido ameaçada, agredida e filmada contra a própria vontade.

O investigado responde a três denúncias do Ministério Público. A primeira refere-se a um episódio ocorrido em 3 de julho de 2025, em Torres, quando ele teria ameaçado a vítima em frente ao prédio onde ela morava e arremessado pedras contra o edifício, quebrando vidraças.

A segunda denúncia é por violência psicológica contra a mulher. Segundo o MP, a vítima foi submetida a humilhações, ameaças, ofensas e comportamentos controladores, que provocaram graves impactos emocionais, como crises de ansiedade, pânico e sintomas compatíveis com transtorno de estresse pós-traumático.

A terceira denúncia envolve descumprimento de medidas protetivas, perseguição (stalking) e novo episódio de violência psicológica. Conforme a acusação, mesmo proibido de manter contato, o investigado continuou perseguindo a vítima, enviando mensagens, tentando contato por telefone e monitorando sua rotina. As duas últimas denúncias ainda aguardam análise da Justiça.

MP justifica pedido de prisão

No parecer, o MPRS afirma que a investigação policial reuniu elementos que indicam a ocorrência de crime contra a dignidade sexual, e que a liberdade do investigado representaria risco à ordem pública diante da gravidade dos fatos apurados. Para o promotor, a medida era necessária para proteger a vítima e evitar novos episódios de violência.

“A prisão preventiva mostrou-se necessária diante da gravidade dos fatos investigados e dos elementos reunidos ao longo das apurações. Trata-se de uma medida destinada a proteger a ordem pública, resguardar a integridade das vítimas e garantir a aplicação da lei”, afirmou Carvalho.

O parecer também destaca que o homem possui histórico de envolvimento em procedimentos relacionados à violência contra a mulher, incluindo registros por ameaça, perseguição, violência psicológica, cárcere privado, descumprimento de medida protetiva, estupro e filmagem de cenas íntimas sem consentimento.

Conforme a investigação, havia indícios de que o homem poderia deixar o país para evitar eventual responsabilização criminal. O parecer ressalta ainda que ele mantém vínculos em diferentes localidades, circunstância que aumentaria o risco de fuga.

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