A onda de assassinatos, provavelmente envolvendo facções criminosas, prossegue no Litoral Norte. O caso mais recente ocorreu no final da noite desse domingo, em Osório. No bairro Albatroz, um homem, com antecedentes criminais e mandado de prisão em aberto, foi executado a tiros no interior de uma casa casa na rua Antônio Stenzel. No local, foram encontrados entorpecentes.
Já na quinta-feira passada, uma residência foi invadida por cinco atiradores na rua Vergueiros, no bairro São Francisco II, em Tramandaí. Dentro da casa, três pessoas foram baleadas, sendo que um homem morreu durante atendimento médico no hospital. As outras duas pessoas ficaram feridas, inclusive o homem que seria alvo dos disparos - ele teria saído da prisão na quarta-feira.
No mesmo dia, um homem foi morto e uma adolescente ficou ferida após serem atingidos por disparos de arm de fogo na rua Panamá, em Capão da Canoa.
Já na noite de quarta-feira, um homem foi executado a tiros na avenida Paraguassú, no bairro Presidente, em Imbé. Em abril vários casos foram também registrados em vários municípios da região litorânea.
Titular da Delegacia de Polícia de Tramandaí, o delegado Paulo Perez constatou que entre 80% e 90% dos homicídios no Litoral Norte estão vinculados ao tráfico de drogas. Ele apontou que as motivações para os assassinatos podem ser resumidas em vingança, retaliação, disputa de território ou morte de usuários com dívidas.
O delegado Paulo Perez disse ainda que existem duas facções criminosas bem atuantes na região. “O interior é um território a ser tomado”, sintetizou. Os traficantes locais, não vinculados a nenhum grupo, acabam sendo as primeiras vítimas das expansões das organizações pelas cidades gaúchas. “Em segundo momento eles se aliam a um dos grupos”, ressaltou. Ele explicou que, no caso de Tramandaí, a maioria dos traficantes locais se juntou a uma das duas facções criminosas. “Não dá para se manter neutro. Quem está no negócio tem que se ligar às duas facções. É inevitável”, concluiu.
Há duas semanas, uma reportagem do Correio do Povo abordou a atuação das facções criminais que estão se expandindo para o Litoral Norte, levando violência e medo à população. Os grupos oriundos da Região Metropolitana de Porto Alegre e Vale dos Sinos estabeleceram-se nesta área. Na matéria jornalística, o próprio delegado Paulo Perez recordava que o primeiro contato que teve sobre a presença de uma facção em Tramandaí foi no ano de 2013. “De lá para cá, a invasão veio de forma maciça”, alertou na ocasião. “O Litoral Norte está completamente infestado. De ponta a ponta”, revelou então o titular da DP de Xangri-Lá, delegado Roland Short, à reportagem do Correio do Povo que percorreu toda a região litorânea.
Homem morto em Osório é o quarto assassinato em cinco dias no Litoral Norte
Onda de homicídios na região é motivada pelo tráfico de drogas