O Ministério Público ofereceu denúncia contra o suspeito de matar de Brasilia Costa, que foi esquartejada e que teve parte do corpo encontrado dentro de uma mala na rodoviária de Porto Alegre. O publicitário Ricardo Jardim, ex-companheiro da vítima, pode responder por oito crimes. A informação foi divulgada em coletiva nesta segunda-feira.
“Vamos chamar esse crime de Caso Bia, e não mais de Caso da Mala. Ela não era uma mala. Era uma mulher, que foi morta por um homem que queria controlá-la”, disse a promotora Luciana Casarotto, que é titular da ação.
Jardim foi denunciado por feminicídio envolvendo violência doméstica, qualificado pela idade da vítima e recurso que dificultou a defesa; vilipêndio de cadáver; ocultação de cadáver; falsa identidade; falsificação de documentos; uso de documentos falsos; invasão de dispositivo informático; e furto. Ele está preso preventivamente.
"Este é um crime que chocou a todos por várias razões, pela crueldade, pela forma como ocorreu e por situações que apareceram. Uma delas foi um fato cometido por uma pessoa que deveria estar presa”, disse o procurador-geral Alexandre Saltz.
A Defensoria Pública segue como representante de Jardim. O órgão se manifestará somente nos autos do processo. O espaço permanece aberto.
O crime ocorreu entre os dias 8 e 9 de agosto. Também nesse intervalo, o suspeito comprou luvas, lona e uma serra. Já em 14 de agosto, ele adquiriu a mala em que o corpo da mulher seria deixado, seis dias depois, em 20 de agosto, no guarda-volumes da rodoviária.
Com a lona, ainda segundo apuração policial, o suspeito teria forrado o chão do imóvel. A intenção seria evitar que outros moradores da pousada ouvissem os ruídos do esquartejamento, que teria sido feito com o uso da serra, disse a Polícia Civil.
Cerca de quatro dias após o crime, em 13 de agosto, a vítima teve os braços deixados em um saco de lixo no bairro Santo Antônio, na zona Leste. Em 20 de agosto, a mala com o tronco foi deixada no guarda-volumes da rodoviária, em nome e endereço de uma pessoa que trabalha em um escritório de contabilidade, em Canoas, mas que nada tem a ver com o crime.
As duas pernas da mulher foram encontradas entre os dias 6 e 7 de setembro, na zona Sul da Capital. A primeira destas apareceu, na orla do bairro Ipanema, entre a areia e a água, onde foi avistado por um trabalhador do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU). Outra, surgiu na orla do Guaíba, perto da avenida Edvaldo Pereira Paiva, sendo localizada por um pescador.
Informalmente, o criminoso teria dito aos policiais que descartou a cabeça da vítima em um lixo orgânico no entorno do Gasômetro. O receio dos agentes é que um caminhão de coleta tenha recolhido o entulho e que, por isso, o membro possa ter sido triturado junto aos resíduos. O destino desse conteúdo é um aterro em Minas do Leão, na Região Carbonífera.