Polícia

Homem que tentou matar ex-companheira em Planalto é condenado a mais de 30 anos de reclusão

Vítima foi uma jovem indígena kaingang, que foi atingida por dois disparos de arma de fogo na cabeça e, em razão das lesões, apresenta sequelas

Um homem denunciado pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) foi condenado a mais de 30 anos de reclusão pela tentativa de feminicídio da ex-companheira em Planalto, no Norte do Estado. A acusação foi sustentada em plenário pela promotora de Justiça Débora Lopes de Morais, que atuou no julgamento.

A pena fixada foi de 30 anos, 6 meses e 20 dias de reclusão. Além da pena privativa de liberdade, o Conselho de Sentença fixou o valor mínimo de R$ 100 mil a título de indenização pelos danos morais sofridos pela vítima.

O crime ocorreu no dia 30 de novembro de 2024 e teve como vítima uma jovem indígena kaingang, que foi atingida por dois disparos de arma de fogo na região da cabeça. Em razão das lesões, a vítima apresenta sequelas neurológicas decorrentes da tentativa de homicídio. Conforme sustentado pelo Ministério Público, o réu agiu de forma surpreendente, abordando a ex-companheira na saída de uma festa, utilizando recurso que dificultou totalmente sua defesa.

A tentativa de feminicídio foi reconhecida pelo Júri com a incidência de majorantes, entre elas a presença física de ascendente, uma vez que a mãe da vítima presenciou toda a ação criminosa. Para o Ministério Público, a violência praticada evidenciou extrema brutalidade e menosprezo à condição da vítima enquanto mulher, além do contexto de relacionamento íntimo prévio existente entre autor e vítima.

O julgamento também foi marcado pela forte mobilização da comunidade kaingang da Terra Indígena Nonoai, que compareceu ao plenário em manifestação de apoio à vítima. Mulheres da comunidade organizaram a presença coletiva no Tribunal do Júri e garantiram, inclusive, o acompanhamento permanente de dois técnicos de enfermagem durante o depoimento da vítima, que sofre convulsões em situações de forte estresse emocional.

“A união e o apoio da comunidade tiveram papel fundamental para assegurar que a vítima pudesse se manifestar em juízo com dignidade e segurança”, contou a promotora Débora.

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