Cirolini é suspeito de comandar o desvio de 43 cargas no município gaúcho. O delegado Schenkel disse que o esquema era muito bem preparado pelo estelionatário, que aliciava motoristas de transportadoras e agricultores, para o desvio de cargas de soja destinadas ao porto de Rio Grande. Segundo o delegado, depois do aliciamento, ele comprava notas fiscais de produtores rurais e as cargas eram repassadas para outras empresas. Conforme Schenkel, a nota fiscal dava aparência de legalidade ao negócio fraudulento.
Cirolini pagava, em média R$ 2,5 mil pela nota dos produtores. Os motoristas recebiam de R$ 1 mil a R$ 7 mil para levar o frete cheio até o porto de Rio Grande. O grosso do lucro de cada carga, em torno de R$ 40 mil, ficava com o estelionatário. O delegado Adroaldo Schenkel revelou que só no inquérito da Defrec foram apurados o desvio de 43 cargas, mas existem outras ações idênticas em Chapecó, Sarandi e Marau.
Schenkel contou que houve um caso absurdo em que a carga foi carregada numa cooperativa e desviada para outra unidade da mesma empresa, distante apenas 30 quilômetros da sede. "César Augusto Cirolini já esteve preso e tem uma extensa ficha de antecedentes, especialmente por estelionato", disse o delegado
O Cirolini está recolhido no Presídio Regional de Passo Fundo com prisão preventiva decretada pela Justiça. Além dele, oito agricultores e sete motoristas da região, que estariam envolvidos no esquema, estão sendo indiciados pelo delegado Adroaldo Schenkel por furto qualificado, falsidade ideológica e formação de quadrilha. O delegado revelou que o estelionatário ostentava um grande poder econômico em Chapecó, onde reside com a mulher e filhas.