Polícia

Hospital tenta transferir homens que foram incendiados em Gravataí

Polícia Civil garante ter nomes de dois suspeitos do crime

A direção do Hospital Dom João Becker, de Gravataí, tenta desde antes da meia-noite dessa quarta-feira a transferência dos três consumidores de crack que tiveram gasolina jogada sobre seus corpos e foram incendiados. De acordo com o coordenador cirúrgico da emergência da unidade, Daniel Guedes, o hospital não tem condições de tratar o trio.

O médico explicou que o caso mais grave é o de Eduardo Santos de Oliveira. Ele tem mais de 60% do corpo queimado e terá que ser submetido a uma cirurgia para a retirada da pele destruída. Há risco de os ferimentos comprometerem a circulação de sangue nos braços da vítima.

Jeferson Luiz de Souza Pinto Bandeira também tem lesões causadas pelas chamas, que atingiram 40% de seu corpo. Já Ilton Roberto Pippi de Almeida teve 30% do corpo atingido. Todos tem queimaduras de 3º grau e estão sendo sedados inclusive com o uso de morfina para suportar a dor.

O estado de saúde é considerado grave. Guedes informou que já entrou em contato com os hospitais Cristo Redentor e de Pronto Socorro, em Porto Alegre, e com as centrais de regulação de leitos da capital e do Estado para tentar as transferências.

Os três foram encontrados com os corpos queimados na rua Álvares Cabral, Bairro Morada do Vale I, na noite de ontem. Um quarto homem conseguiu escapar com as roupas encharcadas de gasolina. Eles estavam em um mato ao lado de uma fogueira consumindo crack quando foram abordados por duas pessoas. Uma delas armada e a outra com uma garrafa de gasolina, como relataram ao médico Daniel Guedes.

Suspeitos do crime estão identificados, garante polícia

A 2ª delegacia de Gravataí garante já ter os nomes de dois suspeitos do caso, investigados em outras ações ilegais. As identidades não foram reveladas para não comprometer as investigações.

Para a polícia, o crime foi cometido porque a dupla de consumidores devia dinheiro aos traficantes. De acordo com o inspetor Adilson Silva, o objetivo foi deixar um exemplo a outros devedores, já que poderiam ter executado as vítimas.

Nesta tarde, agentes foram ao hospital tentar ouvir os sobreviventes, que serão encaminhados ao Programa Estadual de Proteção, Auxílio e Assistência a Testemunhas Ameaçadas (Protege-RS).