O Instituto Geral de Perícias (IGP) comandou no tarde desta terça-feira a reconstituição do caso Dóris Terra Silva, 21 anos, que foi assassinada em dezembro de 2015. O crime chocou São Francisco de Paula. Dóris é filha do filha do ex-prefeito Sérgio Bandoca Foscarini. Com forte esquema de segurança, o assassino confesso da universitária, de 31 anos, foi levado da Penitenciária Regional de Caxias do Sul até a Delegacia de Polícia de São Francisco de Paula.
Após prestar esclarecimentos aos peritos por aproximadamente 30 minutos na DP, o acusado foi encaminhado até o estacionamento do supermercado onde abordou a jovem, no centro do município serrano. Populares aguardavam em frente ao estabelecimento. Um homem proferiu xingamentos ao acusado. “Fala logo, assassino”, gritou. Com semblante sempre tranquilo, o homem levantou a cabeça e ficou encarando o popular.
Segundo a delegada Fernanda Aranha, responsável pelo inquérito que denunciou o acusado por latrocínio e ocultação de cadáver, o réu contou que ficou esperando por uma vítima para cometer o assalto por aproximadamente 1h30 e que a escolha foi aleatória. O acusado ficou sentado em um banco e, quando a jovem voltou das compras, a abordou ao embarcar no veículo Corolla. “Ele mostrou a faca e a vítima teria ficado assustada. Ele embarcou no banco traseiro e ela saiu dirigindo”, afirma Fernanda.
Na reprodução simulada dos fatos, o acusado repetiu o trajeto do local da abordagem até o a ERS 020. Uma policial fez o papel da vítima. Com a jovem como refém, eles circularam por aproximadamente seis quilômetros. Quase na metade do caminho, ainda no centro de São Francisco, ele pulou do banco traseiro para o do caroneiro com o veículo em movimento. Depois, ordenou que a jovem dobrasse em uma estrada estreita às margens da rodovia. Após percorrer aproximadamente 100 metros na estrada de chão batido, segundo a versão do réu, a vítima parou o veículo. Os dois desceram do carro e, quando ele ia fugir, Dóris o teria agredido com um tapa. Segundo ele, após o tapa, ele desferiu os dois golpes de faca, já com a Doris fora do veículo. Ela ficou caída e o acusado assumiu a direção. Deu marcha à ré até a rodovia e fugiu em direção a Região Metropolitana.
Conforme a delegada, o homem reafirmou que buscava apenas roubar o dinheiro da vítima. Após matar a estudante, o acusado realizou dois saques das contas de Dóris em Sapiranga e Canoas. O valor roubado foi de R$ 2 mil. “Ele contou que não tinha intenção de roubar o carro. Queria apenas o dinheiro. Não chegou a usar a palavra arrependido, mas disse que não precisava ter feito”, diz.
Conforme Fernanda, o simulado serviu para reforçar os elementos de convicção colhidos no inquérito. Na reconstituição, foram reunidos elementos sobre a abordagem, o trajeto e as agressões. O laudo deve ficar pronto em aproximadamente 30 dias. “Ele manteve a mesma versão.”, afirma a responsável pelo caso.
IGP realiza simulação do assassinato de universitária na Serra
Assassino confesso disse que escolheu a vítima de forma aleatória