Polícia

IGP vai analisar armas de PMs e de agricultor de Erechim

Idoso foi morto em suposto confronto com Brigada Militar

As armas dos policiais militares (PMs) e do agricultor Selvino Aléxis Michalski, 74 anos, morto durante um suposto confronto, serão analisadas pelo Instituto Geral de Perícias (IGP). O objetivo é apurar como ocorreu a morte do idoso na zona rural de Erechim, Norte do Estado.

Nas primeiras horas da manhã desta sexta-feira, a Brigada Militar (BM) teria sido chamada até a propriedade, onde o trabalhador rural cultivava hortaliças sob estufas, para atender uma ocorrência. De acordo com vizinhos, o idoso estaria armado e ameaçando um de seus funcionários. Segundo o comandante do 13º Batalhão de Polícia Militar (BPM), tenente-coronel Antônio Gilceu Souza, a BM encaminhou uma viatura até o local, que teria confirmado o relato dos vizinhos.

A fim de evitar um confronto, os PMs iniciaram um processo de negociação para que o idoso largasse a arma. Outras duas viaturas chegaram ao local para dar apoio. Diante da recusa do homem em largar o revólver, um policial teria feito um disparo com uma arma Taser para imobilizar o agricultor. Conforme a BM, o choque não teria surtido efeito e o idoso teria reagido e efetuado três disparos.

Um dos PMs atirou contra o agricultor. Segundo o comandante do 13º BPM, o idoso foi atingido por um disparo de espingarda calibre 12. Ele foi socorrido ainda com vida e levado até o Hospital Santa Terezinha, mas não resistiu ao ferimento. O local foi isolado por técnicos do IGP de Passo Fundo. O tenente-coronel Souza afirmou que abriu um inquérito policial militar para apurar o fato. A Polícia Civil também instaurou um inquérito, segundo o delegado regional, Gerson Fraga.

Filha da vítima fala em assassinato

A filha do agricultor, a médica Joice Michalski, que reside e trabalha em Charqueadas, estava inconsolável. “Eu quero justiça”, disse. Para ela, o pai foi “assassinado” pela Brigada Militar. Joice alega que o pai estaria em surto, mas para ela, isso não justifica a reação da BM. Ela relatou ainda que o pai passou a noite trabalhando e que vinha tentando ser convencido pela família para se submeter a um tratamento.

Sobre a morte do pai, Joice questiona a remoção do corpo do local do crime, antes da perícia. Segundo ela, conforme provas colhidas com a família ao longo do dia, o agricultor teria morrido no local. Ela diz ainda que o pai teria sido atingido por, pelo menos, três disparos – e não apenas um, como informou a BM. As perfurações no corpo também seriam diferentes, levando a crer que houve tiros de espingarda calibre 12 e também de pistola.
Chorando, a médica afirmou que houve “exagero e despreparo”. “Por que não atiraram nas pernas então?”, indagou. Ela disse que vai processar o Estado.

O corpo do agricultor está sendo velado na capela do Hospital de Caridade e será sepultado às 10h deste sábado, em Erechim. O idoso era casado e tinha cinco filhos.

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