Polícia

Incêndios de ônibus revoltam empresário em Santa Catarina

João José Vieira disse que avisou a polícia antes dos ataques contra coletivos da empresa

Prejuízo da empresa foi orçado em R$ 500 mil
Prejuízo da empresa foi orçado em R$ 500 mil Foto : Joyce Giotti / Notícias do Dia / CP
A série de atentados ocorridos em Santa Catarina provocou a revolta do sócio da empresa Santa Terezinha João José Vieira, que teve quatro ônibus queimados por criminosos em quatro noites de ataques. O último dos coletivos foi incendiado na manhã desta sexta-feira. "Estão brincando conosco. Avisei a polícia que isso aconteceria. Falaram que era blefe", disse ao jornal Notícias do Dia ao falar sobre suposta negligência da polícia militar da cidade de São José.

Na noite dessa quinta-feira, o primeiro ônibus foi incendiado por volta das 22h10min, no pátio da empresa, no bairro Sertão do Imaruí. As chamas atingiram dois outros coletivos, que ficaram parcialmente destruídos. O fogo foi contido por cinco moradores, que decidiram agir por conta da demora do Corpo de Bombeiros. Conforme o Notícias do Dia, o prejuízo da empresa foi orçado em R$ 500 mil.

A série de incêndios não se encerrou no interior de Santa Catarina. Conforme a Rádio Record, a capital Florianópolis também passou por momentos de terror. Por volta das 8h dessa quinta-feira, quatro coletivos pegaram fogo. Às 6h de hoje, em Palhoça, dois homens em uma moto jogaram pedras contra um ônibus. No município de Tubarão, um coquetel molotov foi arremessado contra uma viatura da polícia militar. O artefato, porém, não explodiu.

Mortes em São Paulo

Em São Paulo, ao menos oito pessoas foram mortas e cinco feridas a tiros em mais uma noite de violência na Região Metropolitana. Uma das vítimas é uma criança de 1 ano e 8 meses, baleada e morta dentro do carro em São Bernardo do Campo, no ABC, durante um ataque a um casal.

Um ônibus foi alvo de incendiários e dois homens acabaram presos durante assalto a um bingo na zona leste da capital. Os crimes ocorreram num intervalo de apenas 10 horas, entre o início da noite de quinta-feira, 15, e as 4h desta sexta-feira. Desde as 21h dessa quarta-feira, a soma da violência na capital e nos demais municípios da Grande São Paulo chega a 16 mortos e 17 feridos.

Um dos seis tiros disparados contra um veículo em São Bernardo do Campo, no ABC, na noite de quinta-feira matou uma criança de 1 ano e 8 meses de idade. Mesmo encaminhado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Demarchi, o menino Pedro Henrique, ferido no pescoço, não resistiu. A mãe e o padrasto da criança saíram ilesos. Quando foi atacado, o casal voltava para casa pela Estrada Galvão Bueno, no bairro Battistini, após fazer compras em um supermercado. O técnico em fibra ótica Jurandir Luís da Silva Filho, de 20 anos, padrasto de Pedro, estava ao volante do carro, um Celta preto, e era acompanhado também da esposa, mãe do menino.

Na altura do número 5.200 da mesma estrada, um veículo prata surgiu e o condutor passou a sinalizar, piscando os faróis. Pensando que fossem parentes ou conhecidos da família, Jurandir parou o carro. O veículo então passou ao lado do Celta, porém o motorista voltou pela contramão. O criminoso que estava no banco do passageiro atirou pelo menos seis vezes na direção do Celta. Um dos disparos atingiu Pedro Henrique. A dupla está foragida. O caso foi registrado no 3º Distrito Policial de São Bernardo do Campo.

RS em alerta e monitorando

O chefe da Polícia Civil, Ranolfo Vieira Jr., afirmou nesta quinta-feira que tem trocado informações com as autoridades de Santa Catarina após os diversos atentados ocorridos nos últimos dias. Em entrevista ao programa Guaíba Cidades, Vieira fez apenas uma consideração para não alarmar o cidadão gaúcho por conta dos ataques que começaram em São Paulo.

"Eu tenho entrado em contato com o chefe da Civil de Santa Catarina, o delegado Aldo Pinheiro, e ele me disse que não há uma organização criminosa daqui envolvida nesses crimes. É claro que estamos monitorando essa situação e até nos colocamos à disposição para um eventual auxílio", disse.

Vieira destacou que essa onda de ataque não é uma novidade para a polícia. "Isso já acontece há mais de uma década no Brasil. Começou no Rio de Janeiro, passou por São Paulo e chegou até Minas Gerais no passado. O ápice desse movimento criminoso ocorreu naquele Dia das Mães em que o Primeiro Comando da Capital (PCC) organizou uma série de ataques que pararam o estado paulista", lembrou.


Na cidade de São José, ônibus ficou em chamas na rua / Foto: Débora Klempous / Notícias do Dia / CP

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