Na denúncia do Ministério Público apresentada à Justiça sobre a morte do ex-secretário da Saúde de Porto Alegre, Eliseu Santos, os promotores da 1ª Vara do Tribunal do Júri afirmam que o delegado de Polícia, ao concluir o inquérito sobre o assassinato, teria ignorado um suspeito na cena do crime. Foram indiciados Eliseu Pompeu Gomes, Fernando Treib Krol e Robson Teixeira dos Santos por latrocínio. No entanto, nas filmagens da câmera de segurança do Supermercado Zaffari da rua Hoffman, no momento do crime, uma quarta pessoa apontada pela Delegacia de Homicídios como participante do suposto assalto.
As imagens mostram que o quarto homem, denunciado pelo Ministério Público como integrante da quadrilha de executores, está com olhar atento à movimentação de Eliseu Pompeu e Fernando Krol, e, quando eles atiram contra o ex-secretário da Saúde, corre em direção ao local e coloca o braço para trás e para a esquerda, em uma postura de quem saca uma arma. Esse indício é visto pelo Ministério Público como inequívoco de execução, e não latrocínio.
Mas a Polícia Civil concluiu que isso foi apenas uma coincidência. Essa é a explicação do chefe de Polícia do Rio Grande do Sul, delegado João Paulo Martins. Apesar de, após as investigações do Ministério Público, se verificar que há uma ligação íntima de parentesco entre o quarto suspeito e Eliseu Pompeu Gomes, ele continua acreditando que o homem estava no local ao acaso.
Janine Ferri Bitelo, denunciada por participação na quadrilha, é irmã da companheira do quarto suspeito, e teria relacionamento amoroso com Eliseu Pompeu Gomes. Ele foi ferido pelos tiros disparados por Eliseu Santos, e foi medicado por ela, na casa dela, em Sapucaia do Sul.
Coletivas
Na segunda-feira, haverá duas coletivas de imprensa. A primeira será do Ministério Público esmiuçando a denúncia contra oito envolvidos no crime - cinco integrantes da quadrilha de roubo a carro que teria sido contratada para a morte e três mandantes, dois da empresa de segurança Reação e Marcos Bernardes, ex-assessor jurídico da SMS acusado de fazer o intermédio da propina entre a Reação e Eliseu Santos. Ele foi demitido do cargo em comissão depois que as denúncias vieram à tona, em maio do ano passado.
A segunda coletiva de imprensa será da própria Polícia Civil, que terá de explicar, entre outras coisas, por que o chefe da investigação da Delegacia de Homicídios, Pedro Diniz, não foi afastado dos trabalhos, já que é marido da ex-mulher de um dos suspeitos de ser o mandante do crime, o tido como proprietário da Reação, Jorge Renato de Mello.
Também deverá ser explicado qual o envolvimento entre outro membro da equipe de investigação, Sylvio Edmundo dos Santos Júnior, e os dois integrantes da empresa de segurança, Mello e Marcelo Machado Pio. Em depoimento ao MP, o policial afirmou que os dois eram seus informantes em outras investigações, e que ligaram para ele na madrugada da morte de Eliseu Santos para justificarem em que lugar se encontravam.
A Polícia Civil terá que mencionar ainda qual a ligação entre o policial Sylvio Edmundo e o ex-assessor jurídico da SMS Marco Antônio Bernardes, já que ele dá indicação de conhecê-lo. No depoimento aos promotores, Sylvio diz que sabia que Bernardes era advogado de pessoas ligadas ao “Cris da Bom Jesus”, suposto traficante.
Inquérito policial teria ignorado suspeito na cena do crime
MP identificou indícios de que morte de Eliseu Santos foi execução, não latrocínio