O titular da 1ª Delegacia de Polícia de Canoas entregou à justiça, na tarde desta segunda-feira, inquérito com 699 páginas que indicia por 11 tentativas de homicídio contra bebês, qualificadas pelo uso de veneno, a técnica em enfermagem Vanessa Pedroso Cordeiro. Resultado da perícia, divulgado hoje, comprovou que havia morfina na seringa que a Polícia apreendeu com a mulher de 25 anos. O documento do Instituto Geral de Perícias (IGP) indica que a aplicação de morfina pode matar por insuficiência respiratória. Vanessa trabalhava no hospital da Ulbra, onde ocorreram os casos.
O delegado Guilherme Pacífico da Silva informou que foram ouvidas cerca de 30 pessoas durante a investigação. Na casa de Vanessa e no Hospital da Ulbra foram apreendidos manuscritos que, conforme o policial, comprovariam os atos praticados pela mulher. “Ela mostrava uma frustração por não ser médica, que era o sonho da vida dela”, contou o delegado. Ele informou ainda que, ao ser ouvida pelos investigadores, a técnica em enfermagem se perguntava por que estaria aplicando morfina e diazepan nos bebês. Ainda, que estaria magoada por não ter sido auxiliada, por isso não conseguiria mudar a conduta.
Mistério
O local em que a Vanessa teria adquirido o material utilizado para sedar os bebês ainda é um mistério, assim como a verdadeira motivação para o crime.
Defesa
O advogado da técnica em enfermagem, detida desde o dia 13 na Penitenciária Feminina Madre Pelletier, nega que a seringa apreendida pela polícia seja de sua cliente. Sérgio Assunpção disse que vai aguardar o início do processo (depois que Vanessa for citada pela justiça e virar ré) para tentar convencer o judiciário que a técnica pode responder em liberdade pelas acusações.
Os bebês
A assessoria de imprensa do Hospital da Ulbra informa que todas as 11 crianças supostamente sedadas pela técnica em enfermagem receberam alta. As últimas duas foram liberadas nesse fim de semana. Como não houve indicativo de morte, a exumação de corpos está descartada pela Polícia.
Sanidade mental
O Instituto Psiquiátrico Forense (IPF) ainda não foi notificado para cumprir a determinação judicial que determina a realização de Incidente de Sanidade Mental (exame que visa a saber se a mulher tinha condições de entender o que teria feito). O diretor do IPF, Rogério Cardoso, explicou que o prazo para a realização do exame é de 45 dias, que começam a ser contados a partir do momento em que o instituto determina o procedimento. A demanda atual do IPF é de dois mil exames por ano, o que significa uma média superior a 160 por mês. Cento e 90 profissionais trabalham no instituto. Outros 90 devem ser contratados no concurso que está em andamento.
Inquérito que indicia suspeita de sedar bebês é encaminhado à Justiça
Advogado de Vanessa nega que seringa apreendida com morfina seja de sua cliente