A Brigada Militar (BM) isolou a área e fez buscas no estabelecimento e arredores, porém até o início da noite não obteve sucesso na captura de suspeitos. Um dos carros utilizados para a fuga foi localizado no bairro Jardim Botânico e também será periciado. A Polícia Civil informou que possui uma lista de suspeitos.
Faltavam aproximadamente 15 minutos para as 20h quando ao menos dois homens, armados com pistolas, abordaram funcionários da joalheria. Um deles usou uma ferramenta pesada, marreta ou pé-de-cabra, para estourar os vidros frontais da loja. O impacto do metal contra as vidraças desencadeou uma reação de pânico entre os centenas de clientes que circulavam pelo interior do centro de compras.
“Foi horrível. Parecia barulho de tiros. Fomos orientadas a deitar no chão e sentimos muito medo”, contou a estudante Suelen Bandeira, 20 anos, que fazia compras com a irmã Danielly, de 15, numa loja de calçados perto da joalheria. “Muita correria. Mães perdendo os filhos. Coisas quebrando dentro do mercado pela agitação das pessoas”, descreveu a dona-de-casa Clarice Santa Ana, 56 anos. Ela fazia compras dentro do Bourbon quando o crime aconteceu.
De acordo com o capitão Moraes, que comandou a ação do Batalhão de Operações Especiais (BOE), além das joias retiradas dos mostruários, os assaltantes também exigiram dinheiro. A quantia roubada não foi avaliada. Moraes acredita que a fuga foi facilitada por dois outros assaltantes, que aguardavam os comparsas no lado de fora do shopping. Um deles seria o motorista do Meriva usado na disparada da cena do crime. Um segundo carro, supostamente um Escort, teria sido utilizado, porém não foi localizado.
Diante da vitrine estilhaçada, o dentista Paulo Silveira, 55 anos, desabafou sobre a experiência: “Estava lotado. Não sei como ninguém se machucou com gravidade. As pessoas estavam todas desesperadas. Parece evidente que os centros de compras não tem um plano para estas situações críticas”, presumiu.
Para o comandante do Policiamento da Capital, coronel Antero Batista, uma atitude fundamental seria a de colocar lojas de produtos com valores elevados para o interior dos estabelecimentos. “Esta joalheria está situada na porta do shopping. É preciso aumentar a dificuldade da ação dos criminosos”, sugeriu o comandante.
Controvérsia dos tiros
Entre a avaliação sobre o fato e o levantamento dos eventos realmente sucedidos no Shopping Bourbon, uma peculiaridade, em especial, deixou em aberto a história do assalto. Pessoas que circulavam e testemunharam parte do crime afirmam que houve troca de tiros, no entanto, nenhuma evidência disso foi colhida no ambiente preliminarmente periciado. “Pode ser que os cidadãos que estavam fazendo suas compras tenham confundido o estouro das vitrines com estampidos de tiros”, avaliou o coronel Batista.
Contudo, para as irmãs Bandeira, o ruído escutado era de disparos de arma de fogo. “Foram três momentos diferentes. O som propagou duas vezes dentro do shopping e mais uma fora dele”, relatou Suelen, a mais velha. Nos sinais de violência deixados na fachada da loja, apenas um se assemelhava ao da circunferência produzida pela passagem do projétil detonado por um revólver ou uma pistola.
Ao chegarem no local, brigadianos do BOE teriam identificado um policial fora de serviço, que estaria armado dentro do estabelecimento. Entretanto, não houve a confirmação dos tiros. A segurança interna do shopping não porta armas. Ninguém saiu ferido.