“A cúpula dessa organização dessa organização criminosa era a mesma de uma operação nossa de 2007. Naquela ocasião, 56 pessoas foram presas e todas soltas por excesso de prazo durante a investigação criminal. Em dezembro do ano passado, tivemos a informação que o grupo tinha se reestruturado e estava traficante drogas no moldes de antes”, afirmou o delegado em entrevista à Rádio Guaíba.
De acordo com o delegado, a quadrilha movimentava aproximadamente uma tonelada de cocaína por mês. “O bando o braço do Primeiro Comando da Capital (PCC), facção formada por traficantes do São Paulo, aqui no Rio Grande do Sul”, garantiu Noerci da Silva Melo. Três procurados continuam foragidos. Um dos detidos é o apontado como líder da quadrilha e foi encontrado em casa no Balneário Camboriú, em Santa Catarina.
Quadrilha distribuía até 100 quilos de cocaína por mês
Em entrevista coletiva para divulgar o resultado da operação, o delegado informou que, em Caxias do Sul, a quadrilha distribuía cerca de 100 quilos de cocaína por mês. A droga, segundo ele, vinha da Bolívia e entrava no Brasil pelo Mato Grosso, onde era enviada para Torres. Depois, a cocaína era enviada a Caxias e outras cidades do Estado.
Fornecedor é procurado no Paraguai
Um dos fornecedores, que tem ligações com a organização criminosa PCC, tem seu nome envolvido em vários atentados contra autoridades paraguaias. Em 2006, ele foi preso acusado de participar da execução do ex-prefeito de Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia que faz divisa com Ponta Porã (MS), e suspeito de estar relacionado também ao atentado contra um senador paraguaio.
Além do tráfico de drogas, o empresário líder do grupo é patrocinador de um outro crime: a rinha de galos, sendo considerado, dentro do meio, como um dos maiores galistas do Brasil. No início do mês, a Polícia Federal realizou uma ação em um clube da cidade de Cuiabá, onde mais de 150 pessoas estavam presentes na rinha, inclusive autoridades e agentes públicos.
Investigações foram retomadas em 2009
As investigações iniciaram em dezembro de 2009, quando a PF encontrou, em um sítio de Torres, 262 quilos de cocaína e produtos químicos adulterantes que estavam enterrados. Outras apreensões foram realizadas, com apreensão total de 310 quilos.
Nesta quinta-feira, foram cumpridos 26 mandados de busca e apreensão, mas a PF ainda não tem a contabilização do material apreendido. Em solo gaúcho, foram cumpridos mandados em Caxias do Sul, Porto Alegre, Viamão e Tramandaí. Participaram da Operação Espelho 200 policiais federais de Rio Grane do Sul, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.