Polícia

Interpol afirma não ter recebido comunicado de extradição de Sanfelice

Empresário está detido no complexo penitenciário Madri V, na Espanha

O chefe da Interpol no Brasil, Luiz Eduardo Navajas, afirmou nesta quinta-feira que ainda não recebeu um comunicado oficial das autoridades espanholas sobre a extradição do empresário Luiz Henrique Sanfelice, 46 anos. "Estamos estabelecendo contato para a confirmação da extradição", revelou. Sanfelice está no Complexo Penitenciário Madrid V, na cidade de Soto Del Real. A Polícia Federal gaúcha e a Interpol ainda não definiram a logística para a volta do preso.

A Justiça espanhola decidiu extraditar o empresário, condenado pela morte da esposa, no Vale do Sinos, em 2004, para que cumpra pena no Brasil. A reportagem da Rádio Guaíba falou com o advogado dele na Espanha, Agustín Diez Del Blanco, que confirmou que o recurso para que Sanfelice possa cumprir a pena em território espanhol foi negado. Com isso, a Interpol deve definir nos próximos dias como fazer o translado a partir da penitenciária de alta segurança onde ele cumpre pena nos arredores de Madrid. Sanfelice foi recapturado em 5 de maio do ano passado, em Sevilha, no Sul da Espanha.

A decisão de extradição foi tomada, na última sexta-feira, e comunicada somente nessa quarta aos advogados do empresário. O defensor espanhol lembrou que, apesar do acordo diplomático entre Brasil e Espanha para que presos de ambas as nações cumpram pena onde foram detidos, a Justiça do país europeu determinou que o empresário volte ao Brasil. Blanco também lamentou que os juizes espanhóis não tenham levado em consideração o fato de Sanfelice ter dupla cidadania.

Sanfelice já cumpriu, no regime semiaberto, parte da pena de 19 anos e três meses pelo assassinato da ex-mulher, a jornalista Beatriz Helena de Oliveira Rodrigues, 43 anos, cujo corpo foi encontrado queimado dentro do veículo do casal, em 12 de junho de 2004, Dia dos Namorados, perto do Santuário das Mães, em Novo Hamburgo.
 
Sanfelice cumpria pena no Presídio Estadual de Novo Hamburgo quando saiu para trabalhar e não voltou, em abril de 2008. Na mesma semana da fuga, o Tribunal de Justiça do Estado determinou a volta ao regime fechado até ele passar por exame psicossocial.

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