Polícia

Investigação de incêndio na Pousada Garoa completa 140 dias; defesa de proprietário diz que fogo foi criminoso

Chamas vitimaram 11 pessoas em hospedagem na avenida Farrapos

Pousada Garoa foi consumida por chamas na madrugada de 26 de abril
Pousada Garoa foi consumida por chamas na madrugada de 26 de abril Foto : Fabiano do Amaral

Às vésperas de completar 140 dias de investigação, a Polícia Civil ainda não divulgou publicamente um parecer sobre as causas do fogo que atingiu a Pousada Garoa, na avenida Farrapos, em Porto Alegre. O fato ocorreu na madrugada de 26 de abril, quando a hospedagem foi consumida por chamas, ceifando a vida de 11 pessoas. De acordo com a defesa do proprietário, o incêndio foi criminoso.

O inquérito tramita na 17ª DP da Capital, sob comando do delegado Daniel Ordahi. Ele foi contatado pela reportagem, mas não retornou. A exemplo dele, demais autoridades na instituição evitam manifestações públicas do caso, mas confirmam que testemunhas foram ouvidas e que a investigação está próxima de ser encerrada.

À época, o dono da pousada chegou a insinuar que, na madrugada do incêndio, um homem não identificado foi visto dentro da unidade. A versão também dava conta que o suspeito teria ido embora do local pouco antes do início das chamas.

Contatada pela reportagem, a defesa do empresário alega que não teve acesso ao inquérito. O advogado Marcos Kologeski, entretanto, afirma confiar no Estado e na autoridade policial.

Ele classifica o ocorrido como tragédia, salientando que a pousada e seu corpo administrativo também são vítimas no episódio. Contudo, o jurista reforça a tese que o incêndio teria sido gerado de forma proposital por uma pessoa desconhecida. Kologeski também não descarta a existência de mandantes do suposto crime.

"Isso [suposto autor do crime] é a polícia que deve averiguar. Todavia, desde o início entendemos ter sido criminoso o incêndio. Agora é a polícia que dirá se foi e a mando de quem”, destacou o advogado.

Conforme o Corpo de Bombeiros, a unidade em que ocorreu o fogo não tinha Plano de Prevenção e Proteção Contra Incêndio (PPCI) e funcionava de forma irregular. A corporação constatou que não foi protocolado PPCI nem emitido o respectivo alvará para atividade residencial, pousada ou hotelaria.

Os bombeiros também destacaram que houve um projeto aprovado em 2019, para utilização do do local para a finalidade de escritórios. No entanto, à época, foram exigidas ao proprietário medidas de proteção e nova vistoria, o que não teria sido realizado.

Os hóspedes da pousada eram, na maioria, pessoas em situação de vulnerabilidade. Elas estava ali através de um contrato entre a Pousada Garoa e a Fundação de Assistência Social e Cidadania (FASC). Conforme o órgão, desde o incêndio, a gestão suspendeu o ingresso de novos moradores.