Às vésperas de completar 140 dias de investigação, a Polícia Civil ainda não divulgou publicamente um parecer sobre as causas do fogo que atingiu a Pousada Garoa, na avenida Farrapos, em Porto Alegre. O fato ocorreu na madrugada de 26 de abril, quando a hospedagem foi consumida por chamas, ceifando a vida de 11 pessoas. De acordo com a defesa do proprietário, o incêndio foi criminoso.
O inquérito tramita na 17ª DP da Capital, sob comando do delegado Daniel Ordahi. Ele foi contatado pela reportagem, mas não retornou. A exemplo dele, demais autoridades na instituição evitam manifestações públicas do caso, mas confirmam que testemunhas foram ouvidas e que a investigação está próxima de ser encerrada.
À época, o dono da pousada chegou a insinuar que, na madrugada do incêndio, um homem não identificado foi visto dentro da unidade. A versão também dava conta que o suspeito teria ido embora do local pouco antes do início das chamas.
Contatada pela reportagem, a defesa do empresário alega que não teve acesso ao inquérito. O advogado Marcos Kologeski, entretanto, afirma confiar no Estado e na autoridade policial.
Ele classifica o ocorrido como tragédia, salientando que a pousada e seu corpo administrativo também são vítimas no episódio. Contudo, o jurista reforça a tese que o incêndio teria sido gerado de forma proposital por uma pessoa desconhecida. Kologeski também não descarta a existência de mandantes do suposto crime.
"Isso [suposto autor do crime] é a polícia que deve averiguar. Todavia, desde o início entendemos ter sido criminoso o incêndio. Agora é a polícia que dirá se foi e a mando de quem”, destacou o advogado.
Conforme o Corpo de Bombeiros, a unidade em que ocorreu o fogo não tinha Plano de Prevenção e Proteção Contra Incêndio (PPCI) e funcionava de forma irregular. A corporação constatou que não foi protocolado PPCI nem emitido o respectivo alvará para atividade residencial, pousada ou hotelaria.
Os bombeiros também destacaram que houve um projeto aprovado em 2019, para utilização do do local para a finalidade de escritórios. No entanto, à época, foram exigidas ao proprietário medidas de proteção e nova vistoria, o que não teria sido realizado.
Os hóspedes da pousada eram, na maioria, pessoas em situação de vulnerabilidade. Elas estava ali através de um contrato entre a Pousada Garoa e a Fundação de Assistência Social e Cidadania (FASC). Conforme o órgão, desde o incêndio, a gestão suspendeu o ingresso de novos moradores.