A operação Full House, deflagrada pela Polícia Civil na manhã desta quinta-feira, cumpriu sete mandados judiciais na sede da Fundação de Assistência Social e Cidadania (Fasc) e de duas empresas em Porto Alegre. A ofensiva, que tem a colaboração do Ministério Público de Contas, investiga fraude em contratos de compra e venda de imóveis e possível superfaturamento do aluguel de um abrigo para a Fasc. Em entrevista à Rádio Guaíba, o diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), delegado Sander Cajal, afirmou que a investigação pode causar constrangimento à atual administração da prefeitura da Capital. O esquema teria causado prejuízo de pelo menos R$ 500 mil aos cofres públicos.
"Apreendemos diversos documentos que comprovam fraude de valores, de aluguel, de compra e venda, e de tudo que foi feito neste esquema. Não estamos divulgando nomes, que sairão com o inquérito, mas podem atingir a atual gestão da prefeitura", disse Cajal. Questionado sobre a possibilidade de envolvimento de Kevin Krieger e Marcelo Soares, pessoas que dirigiram a Fasc nos últimos dois anos, o delegado foi sucinto. "O presidente e o diretor financeiro da Fasc na administração passada serão chamados para prestar esclarecimentos e fazem parte da investigação", acrescentou.
Conforme Cajal, a operação foi deflagrada a partir de apontamentos do Ministério Público de Contas, que indicavam a existência de contratos com valores de venda para Fasc muito abaixo do preço de mercado. "Para se ter uma ideia, o valor do local que servia de abrigo se aproxima de R$ 880 mil e havia um empecilho para a negociação porque os proprietários, um casal, eram funcionários público de cargo em comissão, ligados a um partido político", explicou.
De acordo com o delegado, a dificuldade na negociação estava no fato de ambos serem servidores públicos e, como tais, não poderiam negociar com a Fasc, o seu empregador. "Eles então simularam uma compra e venda para a mãe de um deles no valor de R$ 250 mil. Isso acabou se configurando em uma fraude, além do superfaturamento do aluguel. Para alugar o imóvel no bairro onde fica o abrigo, o preço é de até 2 mil e, se fosse para fins comerciais, o preço ficaria em R$ 4,8 mil. O valor superfaturado chegou a R$ 10 mil e beneficiava os dois funcionários públicos", observou Sander Cajal.
Kevin Krieger nega participação
O atual secretário de Relações Institucionais da prefeitura de Porto Alegre e ex-presidente da Fasc, Kevin Krieger (PP), negou qualquer participação no esquema de aluguéis de imóveis na Fasc. "Não teve busca e apreensão na minha casa e nem teria o porquê. Em 2014, eu saí da fundação e quem entrou foi o Marcelo Soares, que está fazendo este processo de transição para a gestão do Marchezan", declarou Krieger à Rádio Guaíba.
Em relação ao modo de aluguel de imóveis para Fasc, Krieger informou que encontrar em Porto Alegre um local que esteja em condições de cumprir as tarefas da fundação não é fácil. "Em relação ao aluguel, quem pode falar com mais precisão é o Marcelo. O que posso dizer é que quem administra uma fundação que cuida de crianças e adolescentes e engloba diversas áreas necessita de equipamentos para fazê-lo com a melhor qualidade. É muito difícil tu conseguires espaços bons sem um valor elevado. Na maioria das vezes, as pessoas que têm esses lugares nem querem alugar", argumentou.
Krieger, que é presidente do diretório municipal do PP, negou ainda que o partido esteja envolvido no esquema investigado pela operação Full House. "Nenhuma possibilidade mesmo. Eu garanto. Não tem relação da sigla com esse negócio ou qualquer outro. Posso afirmar isso com toda tranquilidade. Eu conheço o Marcelo e acredito nele até o último minuto da investigação", concluiu.
Investigação sobre Fasc pode atingir atual administração, diz delegado
Fraude em licitações teria causado prejuízo de R$ 500 mil aos cofres públicos