Polícia

Investigação sobre morte de juíza aponta para milicianos

Cruz marcou protesto contra morte de juíza em Niterói

Cruz marcou protesto contra morte de juíza em Niterói
Cruz marcou protesto contra morte de juíza em Niterói Foto : Marcos de Paula / AE / CP
As investigações sobre o assassinato da juíza Patrícia Lourival Acioli, executada com 21 tiros na porta de sua casa, em Niterói, na noite de quinta-feira, apontam para um crime encomendado por integrantes de grupos de extermínio e de milicianos que atuam de São Gonçalo, na região metropolitana do Rio.

Titular da 4ª Vara Criminal do município, a magistrada, de 47 anos, ganhou notoriedade pelas condenações rigorosas. Nessa sexta, ao chegar à Delegacia de Homicídios, o presidente da Associação dos Magistrados do Brasil, desembargador Nelson Calandra, deixou escapar que a polícia estaria trabalhando com a possibilidade de serem 12 os envolvidos no assassinato.

"Dos 12 que praticaram o atentado que vitimou a nossa colega, muitos devem ter condenações anteriores, que ficam transitando em quatro instâncias e só são cumpridas quando o Supremo Tribunal Federal determina", relatou. Calandra reuniu-se, na sede da Divisão de Homicídios (DH), com a chefe de Polícia Civil do Rio, Martha Rocha, e com o diretor da unidade, Felipe Ettore.

À saída, o desembargador disse apenas que preferia não entrar em detalhes sobre os suspeitos, para não atrapalhar as investigações. Martha Rocha, que acompanha pessoalmente o caso, não deu detalhes sobre as investigações. Contrariada, a delegada disse que o sigilo é essencial na apuração. "Este é um momento de trabalho, de silêncio, de análise de todas as informações para tratá-las com coerência e cuidado. O silêncio neste momento é importante", resumiu.

Cerca de 20 homens da DH trabalharam a partir da madrugada de ontem em diligências em Niterói e no município vizinho de São Gonçalo, onde a juíza atuava. Até a o início da tarde de hoje, 18 depoimentos de parentes e vizinhos da vítima haviam sido tomados. Inclusive do vigia da guarita de acesso à rua da juíza. A testemunha, que não foi identificada, confirmou ter visto dois homens numa moto, que interceptaram o carro da magistrada.

Zeca Borges, diretor do Disque-Denúncia, disse que o serviço já recebeu 42 informações sobre possíveis suspeitos, desde a noite do crime. Segundo ele, um levantamento apontou que, de 2002 até o dia da morte da juíza, o Disque-Denúncia havia recebido 37 informações sobre ameaças contra a magistrada.

Protesto

Neste sábado, integrantes do movimento Rio de Paz fincaram uma cruz de cinco metros de altura e colocaramm cartaz com a inscrição: "Quem silenciou a voz da Justiça?", em protesto contra a morte da juíza Patrícia Acioli, executada com 21 tiros na noite de quinta-feira na porta de casa. O ato foi realizado na praia de Icaraí, em Niterói, no Grande Rio.


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