Polícia

Jornalista conta que se identificou várias vezes antes de ser preso

Repórter e cineasta foram detidos com estudantes que ocuparam prédio em Porto Alegre

BM retirou estudantes à força
BM retirou estudantes à força Foto : Guilherme Testa
O jornalista do jornal Já, Matheus Chaparini, que foi preso nessa quarta-feira com estudantes durante a desocupação  do prédio da Secretaria da Fazenda (Sefaz), no Centro de Porto Alegre, afirmou nesta quinta-feira que se identificou várias vezes como repórter antes de ser detido pela Brigada Militar (BM). Em entrevista à Rádio Guaíba, ele contou que está em liberdade provisória e que responde a crimes como associação criminosa, dano ao patrimônio e corrupção de menores. 

"Eu consegui entrar no prédio por volta das 9h. Acompanhei a chegada da Brigada Militar e me identifiquei para os policiais militares, tanto que fui participar de uma entrevista coletiva do tenente Marcus Vinicius Oliveira. Eu me identifiquei ao longo da ocupação e foi assim com estudantes, com chefe da segurança e inclusive na hora em que eu estava sendo detido. A justificativa foi a seguinte: 'Se tu está junto, tu vais junto'", contou Chaparini. Além do jornalista, um cineasta paulista que estava documentando a ocupação também foi preso. 

Chaparini disse que o contato dele com os policiais militares foi pacífico, sempre na tentativa de esclarecer o motivo da sua presença na secretaria. "Eu me identifiquei e expliquei que estava ali a trabalho e não fazia parte do movimento. O cineasta e eu decidimos ficar ali e esperar a saída do último estudante, mas acabamos presos. Até no momento em que fomos encaminhados até a Delegacia, a delegada (Andrea Nicotti) questionou a minha profissão e eu disse que era jornalista. Antes disso, fomos levados ao Departamento Estadual da Criança e do Adolescente e ao Palácio da Polícia. Ficamos um tempão até sermos conduzidos para o Presídio Central", argumentou.  

Questionado sobre a situação de Chaparini, o comandante do Comando de Policiamento da Capital (CPC), tenente-coronel Mário Ikeda, declarou que em nenhum momento chegou ao conhecimento dos policiais militares a presença de um jornalista entre os estudantes que estavam ocupando a Sefaz. "A desocupação foi acompanhada por várias pessoas da OAB e do Conselho Tutelar. Esta questão do repórter não era do nosso conhecimento e não sei se isso que ele (Matheus Chaparini) está dizendo é a verdade verdadeira. Chegamos ali e estavam todos em uma sala e em nenhum momento ele se identificou como repórter. Foi dada a oportunidade para todos falarem e se identificarem. Em nenhum momento cerceamos a liberdade de imprensa", garantiu. 

Sindicato dos jornalistas emite nota de repúdio à prisão 

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul emitiu uma nota de repúdio à prisão de Matheus Chaparini nessa quarta-feira. "Para a entidade, a atitude da Brigada Militar, de aplicar força física sem antes tentar estabelecer diálogo, representa a postura do governo de virar as costas aos interesses da população", diz. 

Já a Secretaria de Segurança Pública publicou esclarecimentos sobre a prisão de Chaparini, afirmando que a prisão foi efetuada porque o jornalista teria agido como integrante do grupo militante que fez a ocupação. Além disso, a nota relata que o jornalista teria se identificado como repórter somente quando foi consumada a prisão pelo ato de invasão.