O jovem foi atendido pela Serviço Móvel de Atendimento de Urgência (Samu) no local e levado a um hospital da cidade. Em dois anos, este é o caso mais longo, envolvendo negociações em Canoas. O anterior foi o cárcere privado que um vigilante impôs a ex-mulher, no bairro Guajuviras, no Carnaval de 2011. Cerca de 40 policiais militares participaram da ação, além dos grupos especiais da instituição.
O transtorno causado pelo jovem começou na noite de segunda-feira, quando ele foi informado que seria internado para tratamento da dependência química pela sétima vez. Revoltado, o rapaz saiu de casa, forçando a família a procurá-lo. No amanhecer de ontem, a mãe do rapaz o encontrou na rua Paraná, no bairro Niterói, dentro do automóvel com mais duas pessoas, por volta das 8h.
O Corsa ficou sem gasolina. “Dentro do veículo estavam uma garota e um outro rapaz”, disse o comandante da Brigada Militar da cidade, tenente-coronel Florisvaldo Pereira. “O carona saiu antes de chegarmos, para comprar gasolina e a garota saiu logo após”, contou o oficial. Os policiais chegaram às 8h30min.
O jovem se trancou no carro e ameaçava cometer suicídio, forçando a mobilização do Grupamento de Operações
Especiais (Gate), PMs de Canoas e delegados de Polícia. Também foram para o local o Corpo de bombeiros e ambulâncias da Samu. Em surto, o jovem bateu com o cabo da arma várias vezes no para-brisas.
A mãe do rapaz acompanhou as negociações ao longo de todo o tempo. Ela levava o celular até o carro para que o filho falasse com os negociadores. Durante a tarde, o rapaz pediu água e cigarros. Eram 16h quando os
parentes do rapaz entraram em um micro-ônibus da BM. “Foi estratégico, não deixamos que a mãe dele voltasse com o cigarro”, contou o tenente-coronel.
Às 16h03min, a tensão aumentou. O jovem saiu do carro de arma em punho, ora apontando para a cabeça, ora para a boca. Subiu no capô do carro, desceu e foi em direção à imprensa. No meio do caminho, mudou de ideia e retornou ao Corsa, trancando-se.
Estes gestos levaram a Polícia a descobrir que a arma era de brinquedo. Nesse momento foi cercado pelos
policiais militares do Gate, que quebraram o vidro do motorista e lhe desferiram uma descarga de Taser. Ele foi levado a um hospital da cidade. Ainda era incerto se o jovem sofreria alguma penalidade legal.