O combate à violência contra a mulher também passa pela educação e conscientização dos adolescentes. Com esse objetivo, a Patrulha Maria da Penha realizou uma palestra sobre prevenção e enfrentamento à violência contra a mulher para jovens da segunda edição do Programa Partiu Futuro Reconstrução, promovido pelo Governo do Estado. A atividade reuniu cerca de 150 adolescentes no auditório da Faculdade Estácio, em Porto Alegre.
Durante o encontro, policiais militares da Patrulha Maria da Penha abordaram a Lei Maria da Penha, os diferentes tipos de violência, os mecanismos de proteção às vítimas e a importância da denúncia. Também apresentaram casos reais de violência contra a mulher.
A soldada Lays Gomes, da Patrulha Maria da Penha, foi uma das palestrantes e destacou que a proposta da atividade foi alertar os jovens sobre comportamentos considerados comuns no dia a dia, mas que podem configurar violência.
"Às vezes, muitos comportamentos eles podem achar normal. Aí chega aqui e percebem que talvez não seja tão interessante, que talvez o meu grupo de amigos não esteja tão certo. Então a nossa ideia é mudar o comportamento, principalmente dos meninos. Os jovens, querendo ou não, ainda estão formando suas virtudes, suas idealizações, e a gente quer que, principalmente os meninos, nos ouçam, mudem, pensem nas suas mães, nas suas irmãs e vejam que isso está presente, mais perto do que a gente imagina, e que temos que agir para mudar", afirmou.
Ela explicou ainda que cada um dos seis batalhões da Brigada Militar em Porto Alegre conta com uma Patrulha Maria da Penha. Na equipe do 9º Batalhão, responsável pelo Centro Histórico e região, quatro policiais realizam diariamente entre 10 e 15 monitoramentos de medidas protetivas de urgência.
"Nós realizamos uma visita até essa vítima, vemos a situação, se ela está bem, se não houve descumprimento da medida. Porque às vezes, logo no início, já pode ter ocorrido alguma situação, e comunicamos ao Judiciário tudo o que essa mulher tem passado, alguma vulnerabilidade, alguma coisa assim. Seguimos esse acompanhamento durante toda a vigência da medida protetiva", explicou.
A coordenadora psicossocial da Demà Aprendiz, núcleo da entidade formadora Renapsi, Ester Melo, afirmou que a proposta do Partiu Futuro Reconstrução vai além da formação profissional e busca contribuir para a formação cidadã dos participantes.
"Nós trazemos esse eixo de debates para dentro da instituição para sensibilizar os homens sobre o tema, conscientizá-los sobre a rede de proteção e garantia de direitos disponível e também para que eles identifiquem esses tipos de violência, para que não sejam violadores de direitos no futuro, mas também sejam pessoas que orientem e direcionem outras que estejam passando por situações parecidas", disse.
Rafaella Barcelos, de 17 anos, foi uma das participantes do programa e acredita que a palestra contribuiu para dar mais visibilidade ao tema.
"Muitas vezes a gente vive na correria. A violência contra a mulher acaba sendo banalizada e as pessoas não dão muita atenção. Só que é uma violência que acontece muito e precisa ser levada a sério. Eu acho que essas palestras são muito importantes para mostrar por que isso não pode acontecer", relatou.
A palestra da Patrulha Maria da Penha integra o ciclo "Diálogos que Protegem – Vozes pela Vida: Juventude, Respeito e Cultura da Paz". As atividades são realizadas em 30 municípios gaúchos e serão encerradas com o Fórum Vozes pela Vida: de Jovem para Jovem no Fortalecimento da Cultura do Respeito à Mulher, previsto para o início de agosto, em Porto Alegre.
Partiu Futuro Reconstrução
Ao todo, 2.785 jovens de 75 municípios gaúchos participam da segunda edição do Programa Partiu Futuro Reconstrução. Desse total, 1.840 são atendidos pela Demà Aprendiz em 30 cidades. O programa é promovido pelo Governo do Rio Grande do Sul, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes).
À Demà Aprendiz cabe a coordenação da capacitação teórica e o acompanhamento das atividades desenvolvidas em órgãos públicos, aliando a aprendizagem profissional ao desenvolvimento integral dos participantes e à qualificação para o mundo do trabalho. Os jovens conciliam a formação teórica, realizada uma vez por semana, com a atuação em órgãos estaduais e municipais, onde trabalham quatro dias por semana.
A iniciativa é voltada a jovens de 14 a 22 anos, egressos ou matriculados na rede pública de ensino, inscritos no Cadastro Único (CadÚnico) e que foram impactados pelas enchentes de maio de 2024 ou residem em municípios integrantes do Programa RS Seguro.
O contrato tem duração de um ano e prevê carga horária total de 1.040 horas. Os participantes recebem bolsa-auxílio de R$ 894,52 para uma jornada de 20 horas semanais, vale-alimentação de R$ 550 e vale-transporte, quando necessário. Também têm carteira assinada e acesso aos direitos trabalhistas previstos em lei, como FGTS, INSS, férias e 13º salário.