Polícia

Juíza interdita alojamento feminino no Presídio Regional de Caxias do Sul

Ordem judicial ocorre por conta da lotação do espaço

Pátio da unidade feminina em Caxias do Sul
Pátio da unidade feminina em Caxias do Sul Foto : Ascom Susepe / CP

Foi determinada a interdição parcial do Presídio Regional de Caxias do Sul. A ordem judicial se refere ao alojamento feminino da unidade, que totaliza 91 presas e 96 vagas. A decisão é da juíza da 1ª Vara de Execução Criminal de Caxias do Sul, Joseline Mirele Pinson de Vargas. De acordo com a magistrada, a ocupação do espaço ultrapassa 150%.

A determinação decorre da situação verificada nas últimas inspeções no presídio realizadas pela juíza. Na última inspeção, em uma das celas havia 16 camas para 29 mulheres. Conforme a magistrada, na ocasião, a própria casa prisional manifestou preocupação com a lotação do espaço, em especial em razão da ausência de banheiros nas celas. A ala possui apenas um banheiro coletivo, com três vasos sanitários e três chuveiros, sendo que um deles está em constante manutenção.

"Nas inspeções ocorridas entre dezembro e janeiro deste ano, enquanto tramitava o expediente para a fixação de teto de ocupação, observou-se que a situação de lotação persistia, inclusive tendo as próprias presas referido a dificuldade de convivência no local, naquelas condições", destaca um trecho da decisão.

Segundo a magistrada, o local é um presídio masculino que foi passando por adaptações para recolher as detentas, em uma área separada. Atualmente, a estrutura conta com quatro celas e um total de 64 camas.

No despacho, a magistrada pontuou que em 2016, quando ocorreu o último decreto judicial de interdição da casa prisional, foi determinado teto somente em relação aos presos do sexo masculino, sem deliberação sobre a situação das mulheres no local. Para ela, a inexistência de um patamar máximo de ocupação estaria em desacordo com as normativas da Lei de Execução Penal.

"Justamente por se tratar o Presídio Regional de Caxias do Sul da única cadeia com alojamento para mulheres nesta Regional, funciona como espécie de 'vazão' para o aprisionamento de presas do sexo feminino de toda a Serra gaúcha, acabando por não comportar a demanda", destacou a Juíza.

O presídio, no bairro Sagrada Família, na BR 116, é o único que possui um alojamento destinado a mulheres na região. A interdição proíbe o ingresso de presas, após o preenchimento das 96 vagas. Segundo a medida, as novas detentas devem ser enviadas para alas femininas nas unidades de Guaporé, Bento Gonçalves, Nova Prata e Vacaria.