A segunda audiência do julgamento referente ao assassinato de Ronei Wilson Jurkfitz Faleiro Júnior, 17, ocorreu na tarde desta segunda-feira, em Charqueadas. O jovem foi espancado até a morte na madrugada do dia 1º de agosto do ano passado. O pai da vítima, Ronei Wilson Faleiro, e um casal de amigos de Ronei Júnior também foram agredidos na data.
Na audiência, as duas últimas testemunhas de acusação foram ouvidas pela juíza Paula Fernandes Benedet, da 1ª Vara do Júri de Charqueadas. Outras 25 testemunhas de defesa também seriam ouvidas, mas 11 tiveram adiar seus depoimentos para o próximo dia 4, já que faltou luz no fórum.
As oitivas começaram após a chegada dos nove acusados pelo homicídio. Os depoimentos das duas últimas testemunhas da acusação foram considerados de fundamental importância pelo pai da vítima. “Cada testemunha viu uma parte do ocorrido. E por estarem numa posição em que puderam testemunhar as agressões mais severas, elas complementam as informações que faltavam sobre o que ocorreu no dia”, relatou Ronei, que acompanhou a audiência.
A defesa havia arrolado 50 testemunhas para serem ouvidas no dia de ontem, mas metade delas acabou sendo dispensada. Ainda assim puderam ser ouvidas colegas de trabalho, familiares e amigos dos réus. Os relatos eram focados na conduta dos indiciados e nas lembranças do que ocorreu no dia do crime. Com certa frequência, foram repetidas análises de que os réus nunca apresentaram comportamento violento ou de que participavam de algumas gangue.
De acordo com o promotor de Justiça João Cláudio Pizzato, a acusação está confirmando a culpa dos envolvidos, conforme as informações que se repetem nos depoimentos das testemunhas estão contidas no inquérito policial. “O processo está correndo de acordo com o esperado. É um caso com nove réus, e há uma complexidade por não poder se determinar a contribuição exata de cada um no crime. Leva tempo, mas a acusação está se confirmando”, considerou o promotor.
O pai da vítima ainda diz que talvez mais de 30 pessoas tenham participado das agressões, e espera que a Justiça seja feita, sem excessos. “Espero uma punição. É inadmissível que tenhamos de conviver em uma sociedade que aceita a violência gratuita”, argumentou Ronei. Ele ainda revela que a família não consegue retomar a rotina, tendo de receber, inclusive, acompanhamento médico. “O Júnior era muito família. Não consigo encontrar a razão para o que aconteceu, e a cada dia os sentimentos se repetem”, salientou.
Juíza ouve testemunhas em audiência do Caso Ronei
Para promotor, acusação está confirmando culpa dos envolvidos