Polícia

Juiz liberta delegado Abud, suspeito de integrar quadrilha de roubo de cargas

Ministério Público garantiu que recorrerá da revogação da prisão

Delegado Omar Abud ficou mais de cinco meses preso
Delegado Omar Abud ficou mais de cinco meses preso Foto : Facebook / Divulgação / CP
O juiz Roberto Coutinho Borba, da 2ª Vara Criminal de Alvorada, determinou a soltura do delegado da Polícia Civil Omar Abud, que estava preso há mais de cinco meses por suspeita de integrar quadrilha de roubo de cargas. O magistrado determinou a revogação da prisão preventiva de Abud durante audiência, na tarde dessa segunda-feira, determinando a soltura também de outras seis pessoas suspeitas de participar da mesma quadrilha, entre elas, o comissário aposentado da Polícia Civil Luís Mello Gonçalves.

O teor da decisão do juiz não está disponível no processo eletrônico, na internet, porque foi proferido verbalmente. Segundo a assessoria do Tribunal de Justiça do Estado, o magistrado “entendeu que não há mais risco de intervenção na coleta da prova, sendo que, afastados cautelarmente das funções, os réus não mais poderiam praticar fatos similares aos narrados na denúncia”.

O delegado e os demais acusados seguem com todo o patrimônio indisponível, incluindo imóveis, veículos e valores de aplicações financeiras. O Ministério Público, procurado pela reportagem da Rádio Guaíba, já garantiu que recorrerá da revogação das prisões.

O delegado Abud foi preso em 21 de fevereiro deste ano em operação do Ministério Público e da Polícia Civil suspeito de financiar grupos criminosos que praticavam roubos de carga, receptação e estelionatos. Em contrapartida, segundo as investigações, Abud e o comissário recebiam parte dos lucros da atividade criminosa. Foi apurada a lavagem de R$ 1,1 milhão.

Em 05 abril, a Rádio Guaíba revelou que uma testemunha também relacionava o delegado Abud a um caso de ameaça e assassinato em Porto Alegre. Dois meses depois, a reportagem da Guaíba confirmou que a Corregedoria da Polícia Civil já investigava o delegado por suspeita nesse homicídio.

Abud também fora indiciado por corrupção passiva em uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) realizada pela Assembleia Legislativa gaúcha em 2001. A suspeita, na época, era que o delegado integrasse um grupo de policiais civis que atuava para liberar o jogo do bicho na Capital.